Quem conhece o efeito tem vontade de conhecer a causa, e quanto mais magnífico é o efeito, tanto mais esplêndido é o que está por detrás dele. Por isso a plena felicidade do homem só se dará no Céu, onde poderá contemplar a Deus face a face.
Nós já tratamos muito a respeito do Paraíso; vamos então considerar a visão beatífica, ou seja, a visão da própria essência de Deus, face a face.
Conhecendo a causa se compreende melhor o efeito
Para compreendermos bem o que é a visão beatífica com a forma de deleite que ela dá, eu começo com um exemplo criado, para subir, depois, ao incriado.
Deus nos deu criaturas para que as analisemos, vejamos o que elas têm de bom e por aí tomemos um ponto de referência para olhar para Ele e adorá-Lo. De maneira que o processo que eu vou seguir é muito legítimo.
Ocorre-me aqui, não sei por que, exemplificar com duas construções muito bonitas da Inglaterra. São exemplos muito condignos, muito adequados. Imaginemos alguém colocado diante do Palácio do Parlamento em Londres. É um prédio muito bonito. Imaginemos, também, alguém diante da Torre do Big Ben. O Big Ben é lindo! Tem uma dignidade e uma majestade extraordinárias! Agrada muito vê-lo.
Eu sei que vou fazer um trabalho quase contrário do que eu quero, num primeiro momento, mas depois verão onde quero chegar.

Imaginemos que, enquanto nós estivéssemos atentos ao Big Ben, uma pessoa nos dissesse: “Olhe aqui, eu tenho uma fotografia representando uma gravura do homem que arquitetou o Big Ben”. Nós daríamos uma olhadinha apenas por amabilidade e ficaríamos com vontade de dizer: “Não me interrompa agora com essa fotografia, eu quero ver a obra dele. Eu não sei como é o sujeito, mais ou menos posso ter ideia, mas não tenho nenhum empenho especial em vê-lo, nem sequer o arquiteto que reformou o Palácio do Parlamento em Londres”.
Entretanto, imaginemos que esse homem fosse tal que, olhando-o, víssemos no seu rosto, espelhada perfeitamente, a excelência intelectual e moral que o levou a fazer aquilo.
Nós teríamos mais vontade de ver a fotografia do arquiteto do que de ver toda a sua obra. Por quê? Porque nós veríamos a própria alma dele, e nela, na sua causa próxima, aquilo que originou o Big Ben ou a fachada do Palácio do Parlamento como são hoje. Então, vendo a causa se vê sempre mais nobremente o que há de bom no efeito, do que vendo o próprio efeito, é evidente.
Discrepância entre caras e almas
Um dos gáudios no Céu é que não haverá essa confusão entre cara e alma que há nesta pobre Terra. Às vezes vemos pessoas que fazem coisas magníficas, com umas caras tão pouco “plaudendas”,1 que se fica com pena. Por outro lado, vemos outras muito “plaudendas” que fazem coisas imprestáveis, que também se fica horrorizado!
Há um desacerto, por vezes aflitivo, entre cara e alma – eu não digo fisionomia, mas cara; são coisas diferentes. A Providência, por assim dizer, dispõe homens com um perfil de ave de rapina, dos quais se espera um voo, uma atitude altaneira; mas, quando se começa a conversar com eles, tem-se a impressão de que são como uma espécie de águia cansada que carrega o próprio bico, ou como um tucano que vai levando aquele bicão aonde pode.
Outra alma dá a impressão de muito lógica, mas, ao conversar, diz bobagens e não raciocina nada. De repente, vem um sujeito qualquer com a cara mais vulgar do mundo e sai com raciocínios resplandecentes.
Uma das alegrias do Céu é que as almas se conhecem inteiramente umas às outras. E elas veem a virtude, a santidade, junto com outros predicados que Deus tenha querido dar, como a inteligência, o vigor de personalidade, o charme, a graça, ou qualquer outra qualidade. Mas vê-se mais do que nas obras que a pessoa deixou na Terra, porque, dentro da causa, o excelente reside melhor do que no efeito.
Papel da bem- -aventurança no Céu
Assim sendo, São Tomás de Aquino pergunta qual é o papel que faz no Céu a eterna bem-aventurança, ou seja, a visão de Deus face a face.2 E ele enuncia o princípio preliminar com a clareza de espírito e de linguagem que lhe é própria; ele é seco, mas riquíssimo, rico como um oceano. Pudéssemos nós ver a alma de São Tomás ou a alma de Santo Agostinho, o que diríamos? Que coisa fantástica!
Então, São Tomás diz resumidamente – depois eu farei um desdobramento das palavras dele – que o homem só é inteiramente feliz quando possui tudo quanto pode ser desejado e que existe. Não tendo aquilo, a felicidade tem um lado defectivo.

E eu acrescento o seguinte: quanto mais alto o ambiente em que o homem vive, tanto mais ele tem conhecimento da perfeição da causa que produziu aquele ambiente. E, portanto, tanto mais ele deve querer conhecer aquela causa em si mesma.
Como será Deus, que criou todas as belezas do universo?
Um homem que vive na terra tem vontade de conhecer a Deus, por quê? Porque se alguém, vendo o Big Ben teria vontade de conhecer diretamente a alma de quem o arquitetou, ao ver o mar mover-se, ou o Sol, as estrelas ou a natureza inteira, como pode ele não querer conhecer Aquele que criou tudo isso? O homem pode pensar: “Como o universo é magnífico! Certamente é o nec plus ultra”.3 A consideração do mar, por exemplo, tende para a seguinte ilusão: mais do que ele não há.
Alguém que presta um pouco de atenção, está de costas para o mar e ouve o tilintar do sino de uma igreja na praia, volta para trás e lhe vem ao espírito toda a Igreja Católica. Pobre mar! Pobre balde de água em comparação com a Igreja! Aquele que fez o mar, fez a Igreja! Ao examiná-la, cada Santo é objeto de uma admiração como se Deus tivesse criado apenas aquele Bem-aventurado, tão admirável é Deus em cada um dos seus Santos. Ora, tudo quanto nós falamos e que se sabe das magnificências do Paraíso terrestre é menor do que o Céu Empíreo, tão esplêndido! Se com o mar desta pobre Terra nós ficamos encantados, o que dizer dos rios do Paraíso? O que dizer do Céu Empíreo? E a pergunta vai subindo de grau: como será Aquele que os fez?
Quem conhece o efeito deseja conhecer a causa
Considerado n’Ele, eu vejo que, pelo fato de ter inteligência, ser-me-ia possível conhecê-Lo. E, entretanto, não posso conhecer? Eu serei inteiramente feliz quando compreender que, para além das maravilhas que vejo, está Um que não posso ver?
É ou não é verdade que seria mais ou menos como um homem que está com sede a ponto de beber um tonel de água, mas a toma apenas em pequenos cálices, e se lhe diz a cada vez: “Veja como a água é boa, como é cristalina! Agora vou lhe dar de provar uma água ainda melhor!”, mas nunca lhe dá a possibilidade de matar a sede. É o caso de perguntar se é caridade aquele cálice de água que de vez em quando se lhe dá! Quer dizer, como pode o homem ser feliz no Céu Empíreo, quando ele olha aquilo tudo e diz: “Bem, mas por detrás há uma beleza eterna, incriada, absoluta, perfeita e não posso conhecê-la?” O Céu não seria o Céu se o homem não fosse capaz de conhecer a Deus face a face.
Ou seja, reduzindo tudo à expressão mais singela, mais rica e mais exemplar de São Tomás de Aquino, quem conhece o efeito tem vontade de conhecer a causa. E quanto mais magnífico é o efeito que nós conhecemos, tanto mais é esplêndida a causa que está se apresentando por detrás.
A plena felicidade do homem consiste em ver a Deus face a face
Ocorre-me um último exemplo. Imaginem um teatro onde está cantando um artista com uma voz incomparável. Um homem está sentado ali para assistir àquele concerto, mas o artista impôs uma condição: todos os que assistirem devem fazê-lo com os olhos vendados, não podem vê-lo. É ou não é verdade que o indivíduo se perguntará, na entrada do teatro, se vale a pena ouvir? Quem vê o artista não vê a beleza da voz. A alma do artista, a pessoa não vê, a não ser de algum modo. Imaginem, pelo contrário, que se pudesse ver a alma do artista com tudo o que ele põe na arte, mas fosse proibido vê-lo; valeria a pena? Quem de nós quereria? É possível que muitos de nós não quiséssemos.

Isso seria muito menos do que não poder ver a Deus no Céu Empíreo. Sabendo que bastaria um ato de vontade do Ser eterno que criou tudo aquilo para termos o gáudio superabundante de vê-Lo, mas Ele não quer ser visto por nós, exclamaríamos: “Mas, Senhor, Vós fazeis isso para que eu Vos ame, e Vos escondeis atrás de vossas maravilhas?”
A partir disso, nós não só vemos que é logicamente necessário que o homem só tenha sua felicidade vendo a Deus, mas compreendemos que todas as maravilhas descritas a propósito do Céu Empíreo não fazem outra coisa na alma reta senão dar-lhe vontade de ver a Deus. Aquilo tudo não sacia. A pessoa quer a Deus infatigavelmente, incessantemente, até que possa vê-Lo face a face!
Essa é uma noção preliminar da visão beatífica.
Nossa inteligência e nossa vontade tendem para Deus
São Tomás de Aquino, no fundo, coloca a mesma verdade apresentada sob outro aspecto, para ficar mais ao alcance do nosso espírito.
É próprio da inteligência conhecer o ser das coisas. A minha inteligência é feita para conhecer aquilo que é. Ela não é feita para conhecer aquilo que não é. Por exemplo, quando se diz que um homem que tem delírios é um infeliz, é porque sua inteligência, seus nervos, seu sistema cerebral, apresentam-lhe imagens do que não é! Se lhe apresentassem imagens do que é, ele seria um homem são, e, debaixo desse ponto de vista, feliz. Quando sua mente apresenta imagens do que não é, ele é um doente, um infeliz.
Ora, a suma felicidade de nossa inteligência consiste em conhecer Aquele que é de um modo absoluto. É evidente. O próprio de nossa vontade é querer o que é bom. Ora, se nós sabemos que há alguém que é a própria Bondade, Deus, nós não podemos nos alegrar conhecendo “n” coisas boas sem, em última análise, desejar conhecê-Lo.
Imaginem que uma pessoa tenha a felicidade, não sei em que grau de intensidade – porque é indizível –, de conhecer Nossa Senhora. Ela diria: “Minha Mãe, se é tal O que Vos fez assim, posso conhecê-Lo? Posso amá-Lo?” A inteligência e a vontade tendem a isso. Por aí se compreende bem o quanto é legítimo, direito e necessário que, por essa forma, na felicidade celeste, a pessoa tenda com todas as forças para o conhecimento e para o amor de Deus como algo que não tem paralelo com tudo que ficou. E daí aquela promessa de Nosso Senhor que eu cito com frequência porque me fala muito à alma: “Serei Eu mesmo a vossa recompensa demasiadamente grande!” (cf. Gn 15, 1).
Aí é que nós teremos uma ideia do que significa ver a Deus face a face. Essa é a visão beatífica.
O deleite acompanha o amor a Deus
Não sei se conhecem a expressão francesa “cortar em quatro um fio de cabelo”. Não é cortar quatro pedacinhos perpendiculares ao eixo, isso qualquer um faz. Trata-se de cortar em quatro na linha paralela ao eixo. Há certas perguntas tão subtis que São Tomás levanta, que se tem a impressão de que ele cortou um fio de cabelo em quatro!
São Tomás levanta a seguinte pergunta: Na visão beatífica, o que é melhor? É a própria visão ou o deleite?4
A pessoa vê a Deus, ama-O vendo-O diretamente com aquele amor proporcionado a quem O conhece dessa maneira. De outro lado, tem um deleite sem palavras. A pergunta é: por que a pessoa ama? Porque Ele é Ele, ou por causa do deleite que Ele dá?

São Tomás mostra bem que o deleite é um reflexo do amor e do conhecimento que a pessoa tem, mas ele faz umas comparações e dá uma fundamentação que nos faz experimentar ainda melhor o sabor dessa verdade. Ele explica que o deleite acompanha necessariamente esse amor porque uma coisa não existe sem a outra, pois não podemos imaginar um homem conhecendo a Deus face a face, mas infeliz. Quer dizer, há uma contradição nos termos. E, para chegar a essa conclusão, ele dá alguns argumentos curiosos. Ele afirma que, de quatro maneiras diferentes, é necessário que o conhecimento e o amor de Deus sejam acompanhados do deleite.
A alegria é um preâmbulo da visão beatífica
Ele dá como primeira razão que uma coisa pode ser necessária a outra como preâmbulo. Há determinados seres aos quais é necessário um preâmbulo. O que é preâmbulo? Alguém dirá: “É o hall!” Não, porque o hall já faz parte do edifício. Imaginem uma construção extrínseca ao edifício, que prepare para entrar nele; isso seria o preâmbulo no sentido pleno da palavra.
Eu vou dar um exemplo minúsculo. Já devem ter notado que, em todas as igrejas católicas de algum estilo tradicional, a arte sacra fez as portas de formas múltiplas e magníficas. Poder-se-ia fazer um álbum só com portas de igrejas, ficaria esplêndido! Está bem. Por mais magnífica que seja, a porta de toda igreja dá acesso a um recintozinho inicial protegido por um tapa-vento e só depois se entra na igreja.
Eu já tive ocasião, por reformas ou coisas do gênero, de estar numa igreja com as duas portas abertas e ver diretamente a rua. Tem-se uma impressão de profanação, uma coisa desagradável, embora saiba que é necessário, por exemplo, quando lavam a igreja ou estão consertando o tapa-vento; ao tirá-lo, é desagradável ver direto fora. É conveniente uma transição entre a rua e o interior da igreja.
Portanto, o deleite é necessário à visão beatífica como um preâmbulo. Ou seja, uma série de coisas já dispõe a alma com deleite para conhecer a Deus. Quando ela, afinal, vê a Deus, a alegria e o conhecimento que ela tem são plenos de todas aquelas alegrias e de todos os conhecimentos anteriores.
Aquela alegria preparou a alma para a visão beatífica. Como então a alegria pode estar separada da visão beatífica? É inteiramente impossível.
Nós poderíamos dizer que, quando morrermos, transporemos esse tapa-vento que é a vida, e entraremos numa imensa igreja que é o Céu.
Nas Confissões, Santo Agostinho fala do momento em que Santa Mônica morreu. Ele chorou, mas depois conteve as lágrimas; por quê? Porque ela tinha transposto o limiar da eternidade, tinha transposto o “tapa-vento”. Do lado de lá, ela tinha a eternidade.
Então, a noção de preâmbulo enriquece essas noções que eu estou dando aqui.
O deleite é um coadjuvante e aperfeiçoa a alma
Um outro modo pelo qual uma coisa é necessária à outra, diz São Tomás, é a título de aperfeiçoamento. E ele dá um exemplo vibrante: a alma é necessária ao corpo para que este viva. Os animais e as plantas não têm alma espiritual, mas têm um princípio de vida sem o qual não são nada. Assim também é indispensável que, para o homem conhecer e amar inteiramente a Deus, ele se deleite. Não se pode compreender que ele conheça e ame sem esse complemento dado à nossa natureza, que é a felicidade com que Deus a inunda.
Isso está perfeitamente bem raciocinado e demonstrado e nós não perdemos nada em conhecer esse raciocínio, porque ele aperta as cravelhas das evidências salutares!
Depois, é também um coadjuvante. São Tomás dá um exemplo que espanta à primeira vista: um amigo pode ser necessário a outro amigo para fazer uma determinada ação. Do mesmo modo, o deleite é necessário ao conhecimento, à inteligência e à vontade para serem perfeitos.
Como o homem tem também sensibilidade – e eu não falo aqui apenas da sensibilidade física, mas da espiritual, muito mais fina, nobre e delicada do que a mera sensibilidade física – o auxílio dessa sensibilidade é indispensável para que ele conheça inteiramente bem a Deus, dada a natureza humana. O homem, portanto, se alegra na presença de Deus.
É como um raciocínio transformado em música. A pessoa ouve o raciocínio e percebe que é verdadeiro. Dá o assentimento da inteligência e da vontade porque nota que aquilo é bom. Mas a musicalização desse raciocínio ajuda a sensibilidade a querer aquilo. É um coadjuvante do ato da inteligência e do ato da vontade.
O Tantum Ergo, por exemplo, é uma parte de um longo hino composto por São Tomás em adoração do Santíssimo Sacramento. É um raciocínio perfeito que mostra como a Sagrada Eucaristia é digna de amor. E, ao desenvolver o raciocínio, a vontade ama. Mas quando se canta isso com todo o ser, é-se mais convidado para crer.
Esse é o papel da felicidade no ato de adoração eterna. Está bem apresentado, lógico e claro.
Onde há visão de Deus existe alegria por concomitância
Finalmente, é concomitante, quer dizer, simultâneo. Eu gosto muito de etimologia, faz-nos entrar no suco da questão. Por exemplo, no meu modo de entender, a framboesa, é assim: seu melhor gosto se sente quando se estala a semente! Ali dentro, no que ela tem de mais interno, de mais ela mesma, está o que há de mais cognoscitivo da framboesa. Não sei se os outros sentem a framboesa assim. É algo pessoal, mas assim se toma o sabor das coisas.
As coisas concomitantes são as que andam juntas umas com a outras. Parece uma palavra supérflua, mas é preciosa como uma imensa semente de framboesa, pois, ao fazer-lhe a etimologia, ela atinge o seu sentido. Isso é belo e digno.
São Tomás faz uma comparação: o fogo e o calor são concomitantes, vão juntos. Onde vai o fogo, vai o calor; onde tem o calor, em algum lugar há fogo. Ainda que o fogo esteja à distância em que está o Sol, se tem calor, tem fogo. Assim também, onde há visão de Deus face a face, existe alegria por concomitância natural, não podem separar-se uma da outra. O deleite é assim.
Quando um de nós estiver no Céu, poderá lembrar-se desta reunião na Terra e compor um hino de adoração, dizendo: “Meu Deus! Eu aqui estou unido a Vós, inundado nesta alegria que é o preâmbulo de Vós, ó meu Deus! Mas ela, ao mesmo tempo, traz uma relação com a vossa cognição, que é um aperfeiçoamento, um coadjuvante, e é concomitante convosco!”
Esse seria um ato de adoração muito bonito. E com isso nós chegamos a estalar mais uma semente.

Nossa Senhora favorecerá nosso exercício de pensamento
Nós devemos gostar da demonstração daquilo que é meio óbvio. Volto a dizer: não como quem duvida, mas como quem quer conhecer e aprofundar mais intensamente.
É ou não é verdade que, conhecendo as quatro provas, nós antegozamos melhor a felicidade? E não é evidente, também, que lá teremos um prêmio por ter antegozado aqui? Teremos uma capacidade que virá disso.
Os espíritos meticulosos que se detêm na reflexão, que fazem a etimologia da palavra, em seguida fazem a construção do raciocínio e por último criam metáforas comparativas para completar o conhecimento, esses espíritos fazem de si mesmos um bom uso. Porque para isso Deus nos deu inteligência, vontade e sensibilidade.
Portanto, ao pensar, não ter pressa. Pelo contrário: vagar, detenção e segurança, porque às vezes Nossa Senhora favorece o nosso espírito para dar um voo de águia e alcançarmos diretamente uma conclusão. Depois do gáudio da conclusão, refazemos o caminho a pé. Como será essa estrada etapa por etapa?
(Extraído de conferência de 28/1/1981)
1) Do italiano plaudere: aplaudir
2) Cf. SÃO TOMÁS DE AQUINO. Suma Teológica. I-II, q.2-4.
3) Do latim: grau máximo de perfeição.
4) Cf. SÃO TOMÁS DE AQUINO. Suma Teológica. I-II, q.4, a.2.



