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Na Assunção, ensinamentos de Contra-Revolução

Através de pequenos pormenores extraídos das visões de Anna Catarina Emmerich sobre a Assunção de Maria Santíssima, pode-se compreender como a Contra-Revolução, para ser plena e vencer, precisa ser animada por uma ordenação de ideias e princípios esquecidos pelo mundo hodierno.

Vamos considerar uma ficha sobre a Assunção de Nossa Senhora, retirada de Catarina Emmerich.1

A Assunção de Maria segundo Anna Catarina Emmerich

Na noite da sepultura de Nossa Senhora, sucedeu a Assunção da Virgem ao Céu com seu corpo. Eu vi vários Apóstolos e mulheres nessa noite rezando ante a gruta ou, antes, no jardinzinho que estava diante da gruta. Eu vi baixar do Céu um facho luminoso e três coros de Anjos rodeando a alma de Maria, que vinha resplandecente pousar sobre a sepultura.

Nossa Senhora esteve algumas horas com a alma separada do corpo. Sua alma santíssima baixou junto ao corpo precedida por um cortejo de Anjos.

Diante da alma vinha Jesus com suas chagas luminosas. E na parte interior da glória onde estava a alma de Maria, viam-se três coros de Anjos.

Naturalmente, os coros mais nobres, mais próximos; e, em periferias sucessivas, os outros coros, todos formando um facho de luz enorme que continha, no centro, a alma santíssima de Nossa Senhora.

Flávio Lourenço
Assunção de Nossa Senhora – Museu de Santa Cruz, Toledo

O mais interior parecia de fisionomias angélicas de meninos, a segunda fileira era constituída por semblantes de criaturas de seis a oito anos e a mais exterior era de jovens. Só se distinguiam bem os rostos, o resto do corpo era como uma coluna luminosa algo indeterminada.

Isso indicava os graus sucessivos de espiritualidade: a criança é símbolo da pureza. A visão dos Anjos por essa forma, porque eles não têm corpos, simboliza uma elevação espiritual mais nobre, mais excelente.

Em torno de Maria havia uma coroa de Anjos. Não saberia dizer o que viam os presentes; eu só via que olhavam para o alto, cheios de admiração e emoção. Às vezes, maravilhados, prostravam-se com o rosto no chão. Quando essa aparição se tornou mais clara e pousou sobre o sepulcro, abriu-se um facho de luz desde ali até a celeste Jerusalém. A alma de Maria, passando diante de Jesus, penetrou através da pedra no sepulcro, logo alçou-se dali com seu corpo resplandecente de luz e se dirigiu triunfante, com o angélico acompanhamento, à Jerusalém Celeste.

Quando, dias depois, estavam os Apóstolos rezando em coro, chegou o Apostolo Tomé com dois acompanhantes. Um era o discípulo Jonatan Eleazar, e outro era um criado do país dos Reis Magos. Tomé e Eleazar rezaram diante do sepulcro. João abriu os três parafusos que fechavam o caixão, deixaram a tampa de lado e viram, com grande maravilha, o sepulcro vazio. Só estavam ali os lençóis e tecidos com os quais haviam envolvido os sagrados restos. Tudo estava em ordem perfeita. O lençol estava tirado na parte do rosto e aberto na parte do peito; as ataduras dos braços e das mãos apareciam abertas e postas em boa ordem. Os Apóstolos alçaram as mãos em sinal de grande admiração e João gritou:

— Ela não está mais aqui!

Solidariedade entre ordem e Contra-Revolução; desordem e Revolução

É interessante notarmos a boa ordem em que estavam os panos. Qual é o alcance desse pormenor? Deus, de tal maneira ama o bem, ama o mundo, que Ele quer a boa ordem para todas as coisas do universo que criou. E, por causa disso, tudo quanto é feito por Ele ou sob o influxo da graça se põe em ordem, se dispõe de um modo correto e conveniente. É uma espécie de aliança do metafísico com o sobrenatural. O sobrenatural ruma para aquilo que está metafisicamente bem arranjado, bem posto, e é esta a razão pela qual todas as manifestações da graça produzem a ordem na natureza.

É o contrário das manifestações do demônio. Sempre quando lhe é permitido aparecer ou influenciar as almas, a sua ação se caracteriza por perturbações tremendas, por convulsões. Se ele infesta uma pessoa, resulta em gestos agitados; se ele infesta uma casa, mexe nos móveis para colocá-los em desordem.

Compreende-se, então, até que ponto todos os domínios da ordem e todos os aspectos dela são solidários entre si. Mas, também quanto a todos os domínios e aspectos da desordem, eles são igualmente solidários. Nisso compreende-se a unidade da Revolução e a unidade da Contra-Revolução, como a Revolução não pode ser considerada apenas um movimento político, religioso ou cultural, mas é a tendência à subversão e à desordem em tudo.

E como a Contra-Revolução, portanto, não pode igualmente ser apenas um movimento político, religioso ou cultural, mas para ser plena, precisa ter um espírito e ser animada por uma graça que visa pôr tudo em ordem.

Através desse pequeno pormenor, tem-se ocasião de meditar sobre a solidariedade de todas as formas de ordem e de desordem.

A nobilíssima noção de fidelidade esquecida

Continua o texto.

Os demais se aproximavam, olhavam, choravam de alegria e admiração. Oravam com os braços levantados e os olhos no alto e se prosternavam pensando na luz que tinham visto na noite anterior. Logo tomaram consigo todos os lençóis e o caixão, como relíquias, e levaram tudo até a casa, orando e cantando salmos em ação de graças. Quando chegaram à casa, João pôs as telas dobradas diante do altar. São Tomé e os demais rezavam. Pedro se afastou um tanto, preparando-se para celebrar.

Flávio Lourenço
Assunção de Nossa Senhora – Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa

É o príncipe dos Apóstolos! É evidente que a primeira Missa da Assunção devia ser rezada por ele.

Logo o vi celebrar a Missa diante do crucifixo de Maria…

Era o crucifixo diante do qual Nossa Senhora rezava.

…e os demais Apóstolos por detrás dele, em ordem, rezando e cantando. As mulheres estavam junto à porta e perto da lareira. O criado de Tomé tinha aspecto de estrangeiro: olhos pequenos, ossos das maçãs do rosto saltados, fronte e nariz achatados, e cor morena. Ele já estava batizado e era simples no seu modo se ser, muito serviçal e humilde. Fazia tudo o que se lhe ordenava: ficava de pé ou se sentava conforme lhe diziam. Virava os olhos para onde se lhe indicavam; ia e vinha segundo se lhe mandavam e sorria para tudo. Quando viu que Tomé chorava, chorou também. Foi inseparável companheiro e ajudante de São Tomé, e o vi levantar pedras muito grandes quando Tomé queria edificar alguma capela.

É uma muito boa manifestação de fidelidade de um servo, fazendo tudo quanto seu amo lhe mandava fazer e sentindo tudo como seu amo sentia, fazendo-se um só com ele. É uma ideia que o mundo hodierno perdeu completamente, essa nobre noção da fidelidade pela qual duas pessoas de categorias diferentes, em vez de se odiarem, se estimam. E não apenas se estimam, mas se fundem, constituindo como que um só todo, quase um não se podendo conceber sem o outro, como a relação do escudeiro e do cavaleiro na Idade Média.

Há inúmeros exemplos de situações como essa, porém, a mais bela de todas foi a dos mártires São Lourenço e São Sisto. Quando o Papa São Sisto foi levado para o martírio, o diácono habitual dele, São Lourenço, aproximou-se e disse: “Santo Padre, como ides para o martírio e me deixais? Vós que sempre celebrastes o sacrifício comigo me abandonareis na hora de vosso último sacrifício?” E ambos foram martirizados sob o mesmo perseguidor. Que beleza e nobreza de ideias há nisso! Como a fidelidade pode chegar a uma verdadeira participação na mesma glória, e como o mundo de hoje está esquecido disso…

Estas são somente duas meditações a respeito da Assunção de Nossa Senhora.

(Extraído de conferência de 14/8/1968)

1) Cf. BEATA ANNA CATARINA EMMERICH. Visiones y Revelaciones Completas. Buenos Aires: Guadalupe, 1952, L. II, tomo IV, p. 278-279.

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