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A Igreja Católica, imaculada como Nossa Senhora

Nossa Senhora é o fruto mais precioso da Redenção. N’Ela não há mácula, nada indica velhice, nem cansaço, nem esgotamento. O mesmo a liturgia atribui à Igreja Católica. Apesar de tudo quanto fazem para desfigurá-la, devemos crer nela e amá-la na sua indestrutível santidade e infalibilidade.

Temos feito considerações sobre a Imaculada Conceição, tomando como fundamento duas virtudes que nos dizem especialmente respeito: a pureza e a combatividade. Há, entretanto, outro aspecto de Nossa Senhora para considerar bem a fundo por ocasião da festa de sua Imaculada Conceição.

Reversibilidade entre os atributos de Nossa Senhora e a Igreja

É o seguinte: há uma espécie de reversibilidade dos referidos atributos de Nossa Senhora e da Igreja Católica. Pode-se recitar a Ladainha de Nossa Senhora ou a Salve Rainha aplicando cada um daqueles dizeres à Igreja Católica; a reversão é perfeita e cada uma das expressões tem, a seu modo, uma aplicação lindíssima à Igreja. Naturalmente, é preciso saber fazer essa transposição e adaptação, e isso se presta a matéria de meditação a respeito da Igreja Católica.

Uma das aplicações que se pode fazer à Igreja é a respeito da Imaculada Conceição de Maria. Ela é uma dama sem ruga e sem mácula. N’Ela não há mancha nenhuma, nada diz velhice, nada cansaço, nem esgotamento, porque Ela, exatamente na sua conceição perfeita, não é passível dessas coisas. E o mesmo se pode dizer da Igreja. A liturgia aplica à Igreja Católica uma expressão da Sagrada Escritura, afirmando também que ela é como uma dama, perpetuamente jovem, sem ruga, nem mácula, na sua permanente glória (cf. Ef 5, 27).

Nossa Senhora das Dores e a situação atual da Igreja

Essa reversibilidade entre a perenidade radiosa da Santíssima Virgem e a radiosa perenidade da Igreja Católica nos faz lembrar, entretanto, que houve momentos em que Nossa Senhora Se apresentou a nós como a Mãe das Dores, coberta do luto mais profundo que jamais houve na História da humanidade, o luto que Ela trouxe pelo seu Divino Filho. Nesse luto tremendo, a Ela se aplicaram as palavras do Profeta: “Ó vós todos que passais pela via, parai e vede se há uma dor igual à minha dor” (Lm 1, 12).

Gabriel K.
Mãe Dolorosa – Paróquia de São Lourenço, Sevilha

Ora, acontece a mesma coisa com a Igreja Católica, e é o momento de nós sabermos ver isso nela e de pedirmos a Nossa Senhora que nos conserve essa visão do caráter inalienavelmente radioso, glorioso e imaculado da Igreja Católica, apesar da situação de luto profundo na qual ela está.

Imperturbável amor à Igreja na sua dor inenarrável

É, portanto, um dia adequado para pedirmos a Nossa Senhora o dom tão conexo com a graça da devoção a Ela, e que é o de uma imperturbável, profunda e invencível devoção à Igreja Católica, embora ela esteja hoje numa situação como a de Maria Santíssima na Sexta-feira Santa.

Na época pela qual estamos passando, a Igreja também diz aos seus verdadeiros filhos, parafraseando as palavras do Profeta Jeremias (Lm 1, 12): “Ó vós todos que passais pela estrada, vós todos desconhecidos, vós todos indiferentes, vós todos que nada compreendeis de minha dor, que não compreendeis a dor de ninguém, parai e vede se há no mundo inteiro, no meio de tantos sofrimentos, de tanta desordem, de tanto caos, de tanta perseguição, se há uma dor comparável à minha dor”.

Como Nossa Senhora ao pé da Cruz

Com efeito, devemos nos lembrar, nas tristezas dos dias de hoje, o seguinte: na sua substância, a Igreja Católica continua perfeitamente radiosa, jovem, infalível, imaculada, apesar de todos os erros que o elemento humano introduz nela. Não obstante haver esse enorme mau uso do poder eclesiástico, pelo qual se procura dar à Santa Igreja, nos seus aspectos extrínsecos e acessórios, uns ares de Revolução e até se procuram formulações da doutrina para que a verdade se pareça com o erro, nada disso pode obviar o caráter imaculado da Igreja Católica, que reside na sua indestrutível fidelidade a Nosso Senhor Jesus Cristo.

Na sua infalibilidade radical, insuprimível, por maiores que sejam os abusos do poder humano, intrinsecamente falando, a Igreja Católica continua majestosa e vencedora como Nossa Senhora ao pé da Cruz. Mãe das Dores devastada pelo sofrimento, continuava, entretanto, uma Rainha radiosa, majestosa e até vitoriosa naquele lance, e talvez principalmente naquele lance, que era, ao mesmo tempo, a maior derrota e a maior vitória de Nossa Senhora.

Na sua essência a Igreja é intocável

Devemos nos lembrar de que é arquitetônico, está de acordo com a lógica das coisas, com a índole da Igreja e da História que, posto o enorme pecado da Revolução e aberto para esse pecado o elemento humano da Igreja, a situação chegasse ao que vemos em nossos dias.

Arquivo Revista
Dr. Plinio osculando uma imagem de Nossa Senhora de Paris, no Auditório São Miguel, no início da década de 1980

A Igreja prova a sua divindade exatamente por este fato: ela, por assim dizer, se dissocia desses elementos que caem nesses erros, entram em disparate, em desatino e se afastam dela; e algo dela, que é ela mesma, preserva-se inteiramente intocado por isso, continua sem essas máculas e, portanto, na perfeição que a torna para nós mais amável do que todas as coisas da Terra e menos amável apenas do que Deus Nosso Senhor.

No que consiste isso? Em primeiro lugar, no seguinte: é que a Igreja Católica nunca cairá em erro e sua doutrina é imaculada. A santidade de seus Sacramentos permanece sendo fonte de vida para todos os fiéis. Por outro lado, o Espírito Santo continua produzindo nela frutos de santidade. Com esses três elementos ela é por inteiro imaculada e o restante é secundário, que nós devemos lamentar e até execrar que esteja mal usado, mas que não é senão uma aparência por trás da qual a Igreja Católica se mantém íntegra, infalível e sendo a única Igreja verdadeira de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Paixão da Igreja

A Igreja Católica está numa paixão, como esteve Nossa Senhora na sua compaixão com seu Divino Filho. A Igreja está assistindo a uma espécie de crucifixão dentro dela mesma. Ela está como a Santíssima Virgem no momento em que tudo parecia perdido, em que Nosso Senhor inclinou a cabeça e disse: “Consummatum est(cf. Jo 19, 30). Naquele momento o céu se escureceu, o véu do Templo se cindiu, a terra tremeu, os justos saíram das suas sepulturas e começaram a andar por Jerusalém, dando testemunho a favor de Nosso Senhor Jesus Cristo. Muitas almas se arrependeram, outras se empederniram em seus vícios e se tornaram cada vez piores.

Isso foi um fato prenunciativo dos castigos vindouros, pois no momento em que a Igreja der a impressão de exalar o seu “consummatum est” e tudo parecer perdido, porque o cálice das ignomínias e das abominações estará cheio, esse será o momento da vitória da Igreja. Então a Revolução cairá, tudo desaparecerá e o Reino de Maria triunfará.

Pedir a Nossa Senhora uma invencível devoção à Igreja

Vamos pedir a Nossa Senhora que nos dê, na festa de sua Imaculada Conceição, uma devoção enorme a Ela e uma correlata e imensa devoção à Santa Igreja. Peçamos uma fé invencível no caráter divino, na infalibilidade e na indestrutível santidade da Igreja Católica Apostólica Romana, nossa mãe, na qual tanto mais cremos e a qual tanto mais amamos quanto mais a vemos perseguida e maltratada pela mão dos seus adversários externos e, sobretudo, internos.

(Extraído de conferência 8/12/1964)

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