A Festa da Cátedra de São Pedro celebra o Papado enquanto tendo uma cátedra infalível que se dirige ao mundo inteiro. É, portanto, a infalibilidade pontifícia, a ortodoxia, aquilo no que o Papa não erra nunca, que é objeto dessa comemoração.
Tudo quanto diz respeito à infalibilidade papal, sem ser afetado em nada pelas tristezas dos dias presentes, é para nós um poema, pois o Papa é o centro da ordem e da beleza do universo.
Há um princípio da Escolástica muito pouco explorado pelos escolásticos de nossos dias, mas quão saboroso e verdadeiro. É o princípio de São Tomás de Aquino denominado pelos medievais de reductio ad unum. Tudo quanto existe tem que se encaixar em conjuntos, tem que se descobrir que forma conjunto e esses conjuntos todos têm necessariamente um elemento central monárquico que os compendia. Portanto, é o princípio monárquico considerado não mais como forma de governo, mas muito mais alto do que isso, como exigência metafísica, ontológica, estética.
O Papa é, então, o princípio máximo dessa reductio ad unum. Nele está a plenitude do poder espiritual, o simbolismo das chaves de ouro e de prata: “Tibi dabo clavis Regnum Cœlorum – Eu te darei as chaves do Reino dos Céus” (Mt 16, 19). E então os medievais perguntavam o porquê das duas chaves e a resposta era: “Uma é a chave de ouro, que liga e desliga as coisas do espírito, e outra é a chave de prata, que liga e desliga as coisas da Terra”. E é o poder supremo e indireto do Papa também na ordem temporal quando entra matéria de pecado.
Por exemplo, um decreto imoral de um rei, o Papa pode declarar nulo. Esse é o nosso ideal da monarquia papal. E é a chave de prata, pois, uma vez que a chave do Céu é de ouro, a da Terra, organizada cristãmente, é a de prata. Esse simbolismo é lindo!
Devemos, pois, oscular em espírito o Papado, esse princípio de sabedoria da autoridade que governa a Igreja Católica. E, por meio de Nossa Senhora, agradecer a Nosso Senhor Jesus Cristo a instituição dessa infalibilidade, dessa cátedra que é propriamente a coluna do mundo.
O fundo de nossa alma é a fidelidade ao Papado. Somos filhos e escravos do Papa. Nossa vida é um ininterrupto “Viva o Papa!”*
* Cf. Conferências de 21/2/1964 e 12/10/1965.



