Populares da semana

Relacionados

Mater divinæ gratiæ

Título que exprime a função materna de Nossa Senhora junto aos pecadores

Logo depois, Nossa Senhora recebe na Ladainha o qualificativo de Mater divinæ gratiæ – Mãe da graça divina. Ela é Mãe de Jesus Cristo, que é a fonte da graça, mas é também cheia de graça. A graça é uma criatura de Deus, é uma participação criada na vida incriada de Deus.1 Nunca ninguém, a não ser a humanidade santíssima de Nosso Senhor Jesus Cristo, teve a graça que Ela possui.

O autor da graça é Deus, mas o canal é Nossa Senhora, Ela transborda das graças do Espírito Santo. Todas as graças destinadas aos homens fluem de Deus através d’Ela, é da exuberância do que tem que Ela nos comunica a graça.

Tudo quanto se lê em D. Chautard, na obra Alma de todo apostolado, a respeito de que o apóstolo deve ser um canal, um reservatório, de cuja exuberância todos se abeberam, diz-se d’Ela de um modo superexcelente, maravilhoso.

Transmitindo-nos essas graças e todos os outros benefícios, Ela põe e prolonga em nosso espírito a própria vida de Deus. Nossa Senhora está sempre atuando em nossa alma por meio da graça, e é isso que nos dá a força para praticarmos os Mandamentos.

Graça, glória e alegria nascem, brotam do sorriso de Maria! Ela deseja ser implorada, deseja tornar claro que Ela ajuda e Se compraz em ser invocada com o título de Mater divinæ gratiæ.

Nossa Senhora das Graças diz algo, mas não diz tudo… Mãe da divina graça diz tudo! Quer dizer, Aquela que é a tesoureira, a medianeira universal e onipotente de todas as graças do Céu! Ela é uma tesoureira que é Mãe daqueles que pedem, portanto, Mãe dos miseráveis, Mãe dos pobres coitados, Mãe dos abandonados, Mãe até daqueles que quase perderam a esperança, mas que Ela faz reviver, ajuda, anima. O título de Mater divinæ gratiæ, portanto, exprime de um modo magnífico a função materna de Nossa Senhora em relação a nós.

Flávio Lourenço
Conversão de São Paulo – Catedral da Assunção de Maria, Parma

Nossa Senhora nos dá até mesmo graças que não pedimos

As graças do Céu formam um tesouro que está nas mãos de Nossa Senhora. Através d’Ela sobem todas as súplicas dos homens a Deus; acolhendo as preces que Lhe fazem, pede ao Altíssimo que atenda aqueles que rogam a Ela; e muitas vezes acontece recebermos graças sem tê-las pedido. O exemplo mais famoso disso é São Paulo. Quando o Apóstolo caiu no caminho de Damasco, ele não tinha fé, era um fariseu. Caindo por terra, ele ouviu uma voz que lhe perguntava: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” (At 9, 4). Essa graça ele não pode ter pedido, porque quem não tem fé não pede aquilo em que não acredita. Como se deu isso? Nossa Senhora intercedeu. Isso se conjectura pelo seguinte: nenhuma graça vem aos homens sem que Nossa Senhora a peça. Ele recebeu; logo, Ela pediu.

Nossa Senhora tem uma misericórdia tão imensa que, mesmo quando não há pedido, e a pessoa está na desgraça de ser um perseguidor d’Ela, por ser Senhora das graças – agora vem um sentido mais delicado da expressão Nossa Senhora das Graças – por ser Ela quem é, pede para o perseguidor que mereceria um castigo – o ser fulminado, ficar cego ou qualquer coisa do gênero –, pede uma graça brilhante.

A confiança na pura misericórdia d’Ela confere asas à nossa oração

No meu espírito fica muito fincada a ideia da pura misericórdia d’Ela, que dá à nossa oração muito valor, confere asas a ela. Por quê? Quando rezamos, temos a tendência de pôr um ponto de interrogação: “Será que Nossa Senhora olha para essa minha oração? Será que, tomando em consideração os defeitos que existem em todo homem, Ela não afasta o rosto de mim e diz: ‘Esta oração eu não quero…’?” É impossível não passar por impressões dessas no momento de rezar.

Nossa Senhora das Graças é, por assim dizer, Nossa Senhora até dos indignos, dos que não têm título, não têm valor para serem atendidos, não têm nada! São Paulo, era um perseguidor, um fariseu! Está bem, Ela rezou e obteve para ele uma graça fulgurantíssima: a de ser o Apóstolo que difundiu a Fé Católica por toda a bacia do Mediterrâneo, de onde nasceu toda a Civilização Cristã.

A Civilização Cristã, filha de uma súplica de Nossa Senhora

A Europa, a América, que é filha da Europa, são filhas dessa graça de São Paulo. A conversão desse Apóstolo, Maria Santíssima a obteve porque quis e porque pediu: “Eu quero aquele!” E a resposta de Deus é: “Vós quereis, minha Mãe? Vós tendes!” É algo extraordinário!

Nós devemos confiar: Nossa Senhora das Graças é muito para nós! É a Mãe que nos obtém todas as graças, mesmo aquelas que não temos o direito de receber, e que até pareceria um absurdo que nos atrevêssemos a pedir. Pois bem, mesmo quando isso se dá, devemos pedir com confiança, porque a bondade d’Ela é tão superlativa, tão alta, tão grande, que é maior do que o abismo dos nossos pecados. Ela atende sempre com misericórdia, com doçura e com bondade. Para mim, esse aspecto da devoção a Nossa Senhora das Graças é muito marcante.

Devemos pedir que Ela firme bem em nosso espírito esta ideia: pedindo qualquer graça a Ela, desde que o façamos com confiança nessa bondade e pensando em quanto é generosa, Ela nos obtém. Para nós, não só o caminho do Céu está aberto, mas também as coisas da Terra que são boas para a nossa salvação.

Nossa Senhora das Graças é Nossa Senhora da abertura, da bondade, do perdão inimaginável! Aproximando-nos d’Ela, digamos sempre: “Mater divinæ gratiæ, obtende para nós alegria, glória e graça. Mater divinæ gratiæ, ora pro nobis!”

1) Cf. SÃO TOMÁS DE AQUINO. Suma Teológica. III, q.62, a.1.

Artigo anterior
Próximo artigo

Artigos populares