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Duas devoções rumo a um mesmo triunfo

As relações entre os povos, as lutas entre as culturas, as disputas de terreno entre as civilizações, os progressos, os retrocessos, esse grande vaivém da vida é agitado, mas bonito, cuja beleza devemos saber apreciar. Sobretudo quando no centro dessa imensa batalha está uma taça contendo o Sangue infinitamente precioso de Nosso Senhor Jesus Cristo, vertido para que o Reino d’Ele se estabeleça nesta Terra como meio de levar os homens ao Céu.

Nesta perspectiva, o embate entre a Revolução e a Contra-Revolução é a luta dos que pretendem jogar no chão a taça com o Sangue de Cristo e perder todas as almas, contra os que querem defender essa taça, erguê-la por cima de todas as coisas da Terra e fazer com que tudo reflita a beleza, a grandeza, a santidade do Criador e do Redentor.

Os Santos que mais se assinalaram em ensinar a devoção ao Sagrado Coração de Jesus têm os seus escritos como que túmidos de esperanças na vitória da realeza de Jesus Cristo, em seguida aos dias tormentosos em que vivemos. De outro lado, os escritos de São Luís Grignion de Montfort estão cheios de clarões proféticos sobre a realeza de Maria Santíssima, como término da era de catástrofes inaugurada com a pseudorreforma protestante.

Realeza de Jesus Cristo e realeza de Maria Santíssima não são coisas diversas. A realeza de Maria não é senão um meio – ou antes o meio – para a efetivação da realeza de Jesus Cristo. O Coração de Jesus reina e triunfa no reinado e no triunfo do Coração de Maria. O reinado e o triunfo do Coração de Maria não consistem senão em fazer triunfar e reinar o Coração de Jesus. E assim essas duas grandes caudais de devoção nascidas pouco depois do protestantismo caminham para um mesmo termo, para a preparação de um mesmo fato: a realeza de Jesus e de Maria numa era histórica nova.

A quem vê a História com os olhos da Fé e sabe discernir ao longo dela as intervenções da Providência em favor da Santa Igreja, afigura-se impressionante a coincidência e a harmonia entre as missões de dois grandes Santos: Luís Maria Grignion de Montfort e Margarida Maria Alacoque.

Pouco importa saber até que ponto os movimentos de Paray-le-Monial e da Vendeia no século XVII se conheceram. A importância de um e de outro não ficou circunscrita àquela época. Filhos da Igreja neste trágico século em que vivemos, podemos e devemos ver ambos os movimentos numa só perspectiva e, assim unidos, fazer deles nosso tesouro espiritual.

O nexo essencial que os liga está hoje em dia posto em tal luz na consciência de qualquer fiel que nem sequer é necessário insistir sobre ele. A devoção ao Coração de Jesus é a manifestação mais rica, mais extrema, mais delicada do amor que nos tem nosso Redentor. A via para chegar ao Coração de Jesus é a Medianeira de todas as graças. E assim se vai ao Coração de Jesus pelo Coração de Maria. Esta última devoção é o ponto de junção entre a mensagem de Paray-le-Monial e a pregação do apóstolo marial da Vendeia. Ponto de junção que, diga-se de passagem, tece tanto realce nas aparições de Fátima.*

* Cf. Catolicismo n. 48, dezembro de 1954; Revista Cristiandad, 16/11/1958 e conferência de 17/3/1987.

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