“Medita nos teus novíssimos e não pecarás eternamente”, diz o Eclesiástico (7, 40).
Na Língua Portuguesa, a palavra “novíssimo” é um adjetivo que significa algo muito recente. Mas no Latim tem outro sentido: as coisas últimas que vão suceder.
Medita nas coisas últimas que te vão suceder e eternamente não pecarás. É uma promessa taxativa: se meditares bem, com afinco, ser-te-á como que impossível pecar até o fim de tua vida.
Quais são esses novíssimos? A última coisa que nos acontece nesta vida é a morte, é claro. Com ela, cessa o período de prova durante o qual a pessoa pode praticar a virtude ou pecar. É esse o primeiro dos novíssimos.
Imediatamente após a morte, vem o segundo novíssimo, o julgamento de Deus, que será tremendo para quem foi corrupto, imoral e que, podendo pensar nas verdades eternas, não o fez por preguiça.
Contudo, para aquele que, por amor a Deus, levou uma vida dura, combativa, sendo por vezes odiado, caluniado, mas que lutou como heroico cruzado, para esse – oh, felicidade! – as portas do Céu se abrem, o olhar complacente do Pai Eterno o inunda, o Divino Salvador mostra seu Coração e diz: “Meu filho, durante toda tua vida Me amaste. Ó filho dileto, que sempre lutou por Mim, meu Coração se abre para ti; tua morada eterna é meu Coração, o encanto de tua vida será meu olhar. Meu nobre, santo, divino e majestoso amor te envolverá como o firmamento envolve as aves, e tu voarás nesse meu amor como o passarinho voa no céu azul”. Eis o terceiro novíssimo.
O quarto novíssimo, o Inferno, é de todos o mais silenciado por ser o que mais arrepia. Ora, é precisamente no medo por ele causado que se encontra sua eficácia especial para salvar, quando bem meditado. Quando uma verdade de Fé caustica, deve-se correr ao encontro dela, porque, causticando, ela limpa, desinfeta a chaga e devolve a saúde, fazendo renascer o viço onde o pecado o tinha extinguido.
Diante da humanidade estão abertas as portas dos cárceres terríveis e sem remédio do Inferno, nos quais se precipitam as almas que morrem fora do estado de graça. Os desgraçados, infelizes e culpados que para lá foram não teriam se precipitado no Inferno se tivessem meditado nos novíssimos.
Portanto, quem não quiser cair no Inferno, medite nos novíssimos. Do contrário, chegará a hora mil vezes desgraçada, em que a alma comparecerá diante de Deus para ser julgada e perceberá estar recusada por Ele que, literalmente, a odeia.
Então, o condenado olhará para a clemente, a piedosa, a doce Virgem Maria, que sempre teve pena dele, mas se deparará com um olhar glacial, indiferente, quando não carregado de censura e de cólera, e pensará: “Se até esse olhar se fechou assim para mim, não há outro caminho senão jogar-me pelas portas desse cárcere adentro e ir para o lugar ao qual, por minha maldade, por meus pecados e pelo mau uso do meu livre arbítrio, fui destinado”.
Se queremos que as portas do Inferno estejam fechadas e por elas não passe ninguém, devemos ser os apóstolos dos novíssimos.*
* Cf. Conferência de 21/5/1995.



