O presepe, junto ao qual nos recolheremos em oração, apresenta-nos o Menino Jesus na sua manjedoura, sob os olhares da Santíssima Virgem e de São José, recebendo a adoração mais perfeita que Lhe poderia ser oferecida na Terra: a adoração da Santa Mãe de Deus e de seu casto esposo.
Ao mesmo tempo, nessa noite verdadeiramente celestial, sabemos que os Anjos cantaram “Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na Terra aos homens de boa vontade”; e já pressentimos o dia feliz em que vão chegar os Reis Magos para adorar o Menino Jesus nos braços de sua Mãe.
Todas essas circunstâncias felizes não nos fazem esquecer, entretanto, o isolamento, o frio, a pobreza extrema em que estava o Menino Jesus naquela noite, e toda a caminhada de sofrimentos que o haveria de levar até à sua gloriosíssima morte na Cruz, e à sua também tão gloriosa Ressurreição.
Se o Menino Jesus nascesse hoje e encontrasse a Terra e a Santa Igreja Católica nas circunstâncias tão enormemente dolorosas em que estão, o que Ele diria? Qual seria o seu sentimento?
Naquela época, Ele tinha a tristeza de ver todo o gênero humano pagão, com exceção do povo judeu. E assim mesmo, esse único povo, tão especialmente abençoado, tão especialmente chamado para uma fidelidade sem par, do qual Ele Se encarnara assumindo a natureza humana na raça judaica, esse povo lhe era infiel a ponto de, segundo tudo leva a suspeitar, existir nas câmaras ocultas do Templo de Jerusalém o culto infame a deuses idolátricos, praticado secretamente, como denunciara o Profeta Ezequiel (cf. Ez 8, 7-17).
Nessas condições, Ele sofreu muito. Ele não sofreria ainda mais se nascesse hoje? Sem dúvida, porque veria que a obra da Redenção se encontra sem aceitação, sem acolhida da parte do gênero humano, nesse sentido de que entre os próprios católicos se vê a religião do modernismo, condenada tão angelicamente pelo Papa São Pio X, ressuscitada sob outra forma e lavrando infamemente nas fileiras da Santa Igreja Católica.
Ademais, Nosso Senhor veria a imoralidade sem nome nem limites que cobriu a Terra inteira. Enfim, Ele veria o mundo pronto para que sobre ele despenque o castigo tremendo que Nossa Senhora anunciou em Fátima. Como não sofreria com isso o Divino Menino Jesus?
Cientes desse paralelo, devemos nos aproximar do sagrado presepe com sentimentos de contrição, de compunção, pedindo perdão por nossos pecados e pelos do mundo inteiro, especialmente pelos pecados daqueles que se infiltram na Santa Igreja para espalhar o mal, tomando pele de ovelha para disfarçar o lobo e, por essa forma, mais facilmente perder as almas.
Peçamos a Nossa Senhora perdão pela irreverente rejeição de sua mensagem em Fátima. E, sobretudo, supliquemos ao Menino Jesus e a sua Mãe Santíssima que façam chegar o Reino d’Ela sobre a Terra: ut adveniat regnum Christi, adveniat regnum Mariæ – para que chegue o Reino de Cristo, que venha o Reino de Maria! E o quanto antes, porque as almas estão se perdendo aos milhões, a todo momento.
Deus, que não quer a morte do pecador, mas que ele se converta e viva (cf. Ez 33, 11), receberá bem esta nossa prece: que, afinal, os castigos tão elucidativos, tão reeducadores, tão acertados e magníficos prometidos em Fátima, se forem indispensáveis para que a humanidade se regenere, que esses castigos venham o quanto antes, e assim um maior número de almas se salve.
Esse presente enorme, grave, difícil e tão desejável, nós o devemos pedir ao Menino Jesus, por meio de Nossa Senhora, de São José, dos Anjos que cantaram no céu, para que chegue o momento em que os Anjos possam novamente aparecer aos homens e cantar: Glória a Deus no mais alto dos Céus e a paz de Maria no Reino de Maria, para os homens de boa vontade.*
* Cf. Conferência de 24/12/1987.



