A alma é feita para conhecer e querer. No Céu, ela conhece e quer o Ser sumamente próprio a ser conhecido e querido, que é Deus. Disso lhe vem a felicidade.
Entretanto, em sua infinita bondade, Deus criou o Céu Empíreo, que é material e no qual os homens estarão com seus corpos ressurrectos, pois o estado natural da alma é permanecer ligada a um corpo. E como o corpo tem sentidos, e convém que ele seja feliz como é feliz a alma, Deus cria um lugar de delícias, o Céu Empíreo, onde todos os sentidos têm delícias ao mesmo tempo, de acordo com as delícias da alma. De maneira que esta vai vendo coisas novas em Deus e vai recebendo sensações táteis que estão em correspondência com aquilo que ela vê em Deus. E o corpo vai tendo delícias físicas que são apenas um magro complemento das espirituais.
Dou um exemplo. A meu ver, os concertos musicais deveriam ser acompanhados com jogos de luz, aromatização adequada e servindo-se alguma coisa para ir tomando. De maneira que, ao ser tocado o minueto de Boccherini, a luz da sala fosse de um belo dourado e se distribuíssem finos bombons.
Ora, assim será o Céu Empíreo. Por essa maneira se completa o Reino de Deus: é o Céu espiritual, no qual a alma goza da visão beatífica, mas também o Céu material, de uma beleza incalculável.
(Extraído de conferência de 4/3/1980)



