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Mater amabilis

O princípio vivo numa alma a torna amável

Há dois modos de eu me comunicar com os meus filhos. O primeiro é em função dos princípios. Aparecendo uma ocasião psicológica adequada, boa, tomar a teoria e explicá-la, ilustrando com fatos, naturalmente.

E, em segundo lugar, pelo exemplo. Este não consiste só em tratar os outros de acordo com o que os princípios dão teoricamente; o exemplo consiste também em ter de tal maneira o princípio entranhado na alma que, no trato, as pessoas notem o princípio vivo ali.

O princípio seco, teórico, qualquer um pode dar. Basta tomar uma cartilha e ler. Ela, neste sentido, presta, aliás, um serviço inestimável. Às vezes não basta para dar conta do recado, mas é inestimável.

É preciso que se veja o princípio vivo na pessoa, modelando a alma, formando um tipo humano, para que conheçamos por inteiro como ele é. E, por essa forma, nós podemos também amar mais o princípio e nos dedicar mais a ele.

Isto é tanto mais verdadeiro quanto tem o seguinte aspecto: o princípio que nós conhecemos faz-nos amá-lo e amar os que são segundo ele, por quê? Porque aquele princípio está vivo ali.

Mas, por causa disso também, faz-nos detestar aqueles que são opostos a esse princípio. E isso não é só detestar teoricamente. Por exemplo, alguém realiza uma ação repreensível por algum motivo; logo, um mau princípio vive nele e, portanto, eu o detesto porque aquele princípio é ruim.

Esse é um modo muito bom de raciocinar. Deve-se ser assim. Mas deve-se ir mais longe, dizendo: “Eu vejo nele o mal que há pelo fato de ele ter esse princípio e vejo também a execrabilidade do princípio mau que está vivo e latejando dentro dele”.

Arquivo Revista
A Virgem e o Menino (Coleção particular)

Ora, acontece que na alma que execra assim o mal, o princípio bom existente nela torna-a amável.

Mãe sumamente diga de ser amada

Enquanto recitava a Ladainha, ao rezar Mater amabilis, tive em mente a ideia de que “amável” é aquele que é “digno de amor”; não é gentil como a pessoa que faz o escoamento da mercadoria no balcão, por exemplo, ou, então, o indivíduo que consegue vender, numa farmácia, muito dentifrício porque é muito amável ao oferecer o produto às senhoras ou aos homens. Amabilidade verdadeira é a daquele que é digno de amor. O princípio vivo torna a pessoa digna de amor.

Tirando Nosso Senhor Jesus Cristo, Nossa Senhora conhecia todos os bons princípios como ninguém antes, durante, ou depois da vida d’Ela, até a eternidade, conheceu. Percorrendo a vida d’Ela, poderíamos encontrar fatos fabulosamente conformes aos princípios de Deus, mas quando nós dizemos Mater amabilis, se bem que não excluamos isso do conceito, temos em vista de forma mais imediata a impressão visual que Nossa Senhora nos causaria se tivéssemos contato com Ela.

Antes de fazer esta pequena reflexão sobre Mater amabilis, vendo a foto da Mãe do Bom Conselho de Genazzano, percebe-se que o pintor teve empenho – aliás, prodigiosamente bem sucedido – em fazer com que, olhando-A, A quiséssemos bem.

Algo análogo fez Nosso Senhor com o moço rico do Evangelho. Está dito: “Intuitus eum, dilexit eum– Tendo-o olhado, amou-o” (cf. Mc 10, 21). O jovem depois não correspondeu à graça, mas até aquele momento era digno de amor. E esta amabilidade é a transparência do princípio em quem o professa e o pratica.

Portanto, na invocação de Mater amabilis, a Ladainha de Nossa Senhora invoca a Santíssima Mãe de Deus como uma Mãe cheia de amor e sumamente digna de ser amada, lembrando com isso aos homens que Ela é Mãe de todos, que o seu Coração transborda de amor para com todos, e merece de cada um a plenitude de seu amor filial.

A Igreja também é Mãe, a mais terna, a mais solícita, a mais carinhosa das mães. Dela se pode dizer, como de Nossa Senhora, que é Mater amabilis, Mater admirabilis, Mater misericordiæ.

A Ladainha invoca a Santíssima Mãe de Deus como Mãe cheia de amor e sumamente digna de ser amada, lembrando que seu Coração transborda de amor para com todos, e merece de cada um a plenitude de seu amor filial.

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