Mãe do Corpo Místico de Cristo
No Concílio Vaticano II, Nossa Senhora foi definida e aclamada como Mãe da Igreja, definição certíssima e sacratíssima!
A Santa Igreja Católica Apostólica Romana, sacral, para a qual eu dei a minha alma como alguém poderia dar a outrem um objeto… Eu fiz isso, consciente, calma e ponderadamente, com todo o meu ser e toda a minha vida: dei-os à Santa Igreja Católica.
Aos poucos, a Igreja tinha penetrado em mim de tal forma e de tal maneira fazia parte de meu ser, que eu não tinha mais nada a fazer.

Quando eu dei minha alma à Igreja? Por um ato explícito, entreguei-a quando me consagrei como escravo de Nossa Senhora. Eu sabia perfeitamente que nesse ato eu, dando-me a Ela, que é a Mãe, estava me dando à filha, que é a Igreja Católica.
É verdade comum da doutrina católica, e em geral aceita, que a ação de gerar o Redentor e a de gerar as almas para a vida da graça, são duas ações que não podem ser consideradas por separado.
A razão está em que Nossa Senhora, sendo Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo, que é a cabeça do Corpo Místico, Ela é, ao mesmo tempo, Mãe do Corpo Místico, pois quem gera a cabeça, gera todo o corpo; seria monstruoso que Ela gerasse a Cabeça e não o corpo. O Filho de Maria, por excelência e sem comparação com ninguém, foi Ele.
É por isso que, não apenas num sentido figurado ou analógico Nossa Senhora é Mãe da Igreja Católica e Mãe de cada um de nós, não física, mas espiritualmente. Mas Ela o é no sentido próprio da palavra, e não somente por ter para conosco certas relações e certo sentimento de maternidade mais ou menos por uma relação proporcionada, como um tio pode chamar a um sobrinho de “meu filho”.
Nunca ninguém foi Mãe, no sentido mais afetivo da palavra, nem mais misericordioso, mais bondoso, mais paciente. Nunca mãe alguma foi mãe até este ponto: estar disposta a perdoar mil vezes mil àqueles que recorrem a Ela e que lhe pedem perdão.
Nossa Senhora, Flor das flores da Igreja
A devoção a Maria Santíssima é inseparável da devoção à Igreja. A Santa Igreja é a Esposa de Nosso Senhor Jesus Cristo e também é filha de Nossa Senhora; mas, ao mesmo tempo – os papéis se invertem –, Maria Santíssima é membro e Filha da Igreja, a mais gloriosa e mais maravilhosa das filhas da Igreja. Nossa Senhora não é apenas uma católica, é a Flor das flores da Igreja, a Flor do Céu, a Flor dos Anjos, mais alta que os Anjos, a Flor do Coração Sacratíssimo de Jesus. Ela é tudo isso!
Da Santa Igreja se pode dizer, analogicamente, tudo o que se diz de Nossa Senhora. Há uma correlação entre ambas, profunda. Ela é uma espécie de alter ego de Nossa Senhora. E, portanto, a plenitude da beleza moral da santidade da Igreja é análoga à beleza moral de Maria Santíssima. Conhecendo a mentalidade e o espírito da Santa Igreja Católica, conhece-se o espírito de Nossa Senhora, porque a Mãe de Cristo é o arquétipo do Corpo Místico de Cristo.
Nossa Senhora é a Flor das flores da Igreja, a Flor do Coração Sacratíssimo de Jesus. A plenitude da beleza moral da santidade da Igreja é análoga à beleza moral de Maria Santíssima.
Se alguém visse Nossa Senhora, seria tendente a exclamar: “Ó Igreja!”, de tal maneira uma coisa é reversível na outra. E se alguém visse uma figura representando a Igreja, dobraria os joelhos e diria: “Salve Rainha, Mãe de misericórdia”, a tal ponto se assemelham.
Em relação a Nossa Senhora, nós procuramos nos unir a Ela, ter a sua mentalidade e o seu espírito, o que significa ter a mentalidade e o espírito da Santa Igreja Católica Apostólica Romana.
E se eu quiser que Nossa Senhora, Templo do Espírito Santo, viva em mim, devo fazer o espírito da Igreja viver em mim. Se eu quiser que Nosso Senhor Jesus Cristo viva em mim, devo fazer com que o espírito da Igreja Católica, Apostólica, Romana viva em mim. E quando digo: “Já não sou eu que vivo, mas é a Santa Igreja que vive em mim”, implicitamente afirmo que são Nossa Senhora e Nosso Senhor Jesus Cristo que vivem em mim.
Há um certo modo de ser, de ver as coisas, de fazer luzir ou fazer entender as coisas, que é o modo de ser católico, por onde a Igreja se expande e se comunica a nós.
Devemos pedir a Nossa Senhora que aumente a nossa devoção à Santa Igreja, sobretudo nestes dias tristíssimos que ela vive. Que tantas misérias que nós notamos nela não diminuam o amor, a veneração, a ternura e o enlevo para com ela, mas, pelo contrário, os aumentem.



