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Regina Sacratissimi Rosarii

Por excelência, quem é sagrado é Deus. Tratamos de sagrado aquilo que, de algum modo, toca n’Ele. Uma coisa tem sacralidade quando nela há uma tal excelência que entra de algum modo, e de modo muito alto, no campo religioso. Ora, este é o mais alto dos campos. Por isso pode-se chamar o Rosário de sagrado, e dizer de Nossa Senhora Regina Sacratissimi Rosarii.

Essa invocação é lindíssima! Ela foi dada por Nossa Senhora a São Domingos de Gusmão, que estava lutando contra uma lepra que infectava o sul da França: o albigensianismo. Para vencer essa heresia, Ela revelou o Rosário. E este ficou o símbolo da alma ortodoxa, devota, da alma que se liga a Ela.

As coisas muito importantes colocamos num lugar de honra. E lugar de honra para nós é nossa ligação com Nossa Senhora.

Como uma corda que nos sustenta

Imaginem um homem que está jogado no mar e está preso ao navio apenas por uma corda; sem ela ele estaria perdido. Pergunto: que importância o homem dá a essa corda? Agarrado a ela, não há perigo de ele perder a distância psíquica; ele nem presta atenção no Sol, nem nos peixes, nem no navio, mas somente nela!

Nossa Senhora é nossa corda que nos leva para junto de Nosso Senhor Jesus Cristo. Os senhores sabem bem que Ela é a Medianeira de todas as graças. Ou seja, tudo quanto nós pedimos e Nosso Senhor dá, o faz por meio d’Ela. Os teólogos costumam dizer que aquilo que todos os Santos do Céu pedissem sem Ela, se eles não obtivessem, Ela, sozinha, obteria sem eles, tão importante é o papel do pedido, da oração d’Ela.

Nossa Senhora, por causa disso, tem um qualificativo muito bonito: Medianeira – medianeira é que está no meio, que medeia, serve de intermediária – Medianeira Onipotente, quer dizer, Ela de si não é onipotente, só Deus. Mas as orações d’Ela são onipotentes, porque Deus Lhe dá tudo quanto pede.

E então, para nós, não há nada de mais importante do que termos a nossa ligação com Ela perfeitamente bem e em dia.

Alguém dirá: “Dr. Plinio, o senhor está se exprimindo mal, porque a Comunhão é necessariamente mais importante do que o Rosário”. De fato, considerada em si, é. Entretanto, se eu comungar e não tiver devoção a Nossa Senhora, posso não chegar a obter uma devoção a Ela. E se eu tiver devoção a Nossa Senhora e não comungar, eu chego até a Comunhão.

De maneira que, embora Deus Nosso Senhor Jesus Cristo paire infinitamente acima de Nossa Senhora, o caminho é Ela!

Rezar o Rosário inteiro, sem interrupções

Por causa disso, aconselho muito que o Rosário seja rezado numa hora certa do dia, deixando tudo para poder rezá-lo. O meu conselho é que, em relação ao Rosário, nós ­façamos o papel do bom pagador e não o do relapso. Porque este, tendo que pagar alguma coisa, paga um tanto hoje, daqui a quinze dias um outro tanto, depois de um mês um outro tantinho, e ainda assim pede para adiar…

Não devemos fazer para Nossa Senhora isto: o dia inteiro ficar pingando pedaços de Rosário para o Céu. O bonito é o contrário: começar o Rosário e acabar! É o bonito, é o perfeito. Eu, apesar de ter uma vida bem cheia, faço desse modo todos os dias, todos os dias! Seja como for, sempre que eu não esteja doente ou resfriado – é a minha crônica doença – eu saio de automóvel para rezar o Rosário. E se não saio porque não posso sair, eu, em casa, logo ao me levantar de minha sesta, tendo acontecido o que tiver, eu rezo o Rosário.

Nossa Senhora é nossa corda que nos leva para junto de Nosso Senhor Jesus Cristo. E o Rosário, o símbolo da alma ortodoxa, devota, da alma que se liga a Ela.

Eu gostaria muito de saber que os meus filhos fazem a mesma coisa. Os senhores têm uma vantagem enorme: moram em casas onde está o Santíssimo Sacramento. Não há melhor lugar para rezar o Rosário do que diante do Santíssimo Sacramento. O bonito é rezarem diante d’Ele.

Isso não é uma obrigação. Há certos dias em que preferimos, por exemplo, rezá-lo caminhando, ou diante de uma imagem de Nossa Senhora. ­Deve-se agir com a santa liberdade dos filhos de Deus, não tomar isso como uma coleira. Vamos agir com uma certa bondade para conosco, com uma certa liberdade, mas preferindo, sempre que possível, ir rezar diante do Santíssimo Sacramento.

Não se preparem para dormir para depois rezar o Rosário na cama. Sabem qual é o resultado, não é? Começam a dormir e, na melhor das hipóteses, acordam às cinco, seis da manhã para rezar mais um pouco do Rosário, que vai pingando durante a noite, como pingou durante o dia. Não é bom.

Devemos rezar o Rosário antes, porque rezar de pijamas também não é bom. Diante de uma Rainha não se usa pijama, usa-se o hábito. Apresentar-se à sua Rainha vestido com o hábito do exército d’Ela é muito mais bonito, Ela atende melhor. E isso é antes de ir para o quarto, antes de lavar o rosto, antes de qualquer coisa: Rosário rezado.

Rezem o Rosário! E rezem-no inteiro!

Alguém diria: “Dr. Plinio, mas seria muito mais amável o senhor dizer que dispensa da corda”. Não, não, eu não vou dizer a um filho que está dependendo de agarrar a corda: “Meu filho, hoje você está cansado, não agarre a corda!” Isso não é amabilidade.

Que Nossa Senhora nos dê o hábito de rezar o Rosário todos os dias, antes do anoitecer.

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