Bendito o dia que viu Nossa Senhora nascer e as estrelas que brilharam sobre Ela quando pequenina
Quando Santa Isabel saudou Nossa Senhora, ela cantou celebrando a Mãe do Salvador (cf. Lc 1, 42ss). Assim também nós devemos louvar e admirar a Mãe do Salvador.
Parafraseando um trecho de Jó (cf. 3, 3) se poderia dizer: “Bendito o dia que viu Nossa Senhora nascer, benditas as estrelas que brilharam sobre Ela quando pequenina, bendito o momento em que os pais de Nossa Senhora verificaram que havia nascido a criatura virginal chamada para ser a Mãe do Salvador!”
Maria Santíssima foi a Virgem concebida sem pecado original, cujas orações trouxeram o Salvador ao mundo. Havia quatro mil anos de separação entre Deus e os homens. Os homens não iam para o Céu, ficavam à espera, no Limbo. À espera do quê? Do momento em que Nosso Senhor Jesus Cristo os resgatasse, do momento em que Ele nascesse, porque não podia resgatar sem ter nascido. Então ficaram à espera do quê? Que Deus criasse aquela Virgem excepcional, de uma santidade e de uma perfeição não só maior do que a de todos os homens passados, presentes e futuros, mas tão alta que os homens nem pudessem compreender, nem entender bem essa santidade.

Que Ele A criasse para que d’Ela nascesse o Salvador. Durante quatro mil anos o mundo sofreu, o mundo penou, pagou os seus pecados, mas nada adiantava enquanto não nascesse a Virgem tão perfeita e tão pura da qual nasceria o Salvador.
Sobressalto virtuoso, santo e ao mesmo tempo jubiloso de Nossa Senhora
Nossa Senhora, que não era concebida em pecado original, teve o uso da razão desde o primeiro instante de seu ser. No seio de Sant’Ana, Ela começou a pensar e vendo, com a ciência altíssima e a inteligência perfeitíssima que tinha recebido pela graça de Deus, qual era o estado miserável da humanidade, Ela rezava pedindo a queda de todo mal no gênero humano e a vinda do Messias, que, afinal de contas, viesse para os homens o Salvador. E Ela tinha tanta vontade que viesse o Messias, que Ela pedia a Deus não só que o Salvador viesse à Terra nos dias d’Ela, mas que Ela conhecesse a Mãe do Salvador. Desde ali formou-se, com certeza, em seu espírito, aquele intuito elevadíssimo de vir a ser uma servidora da Mãe do Salvador e de ajudá-la como criada ou como escrava. Ela Se imaginava tomando contato com essa pessoa excepcional, servindo-a.
Na realidade, desse modo Nossa Senhora já começou a influir nos destinos da humanidade.
Pode-se imaginar o estremecimento de alma d’Ela quando teve conhecimento, pela saudação angélica, de que essa pessoa era Ela. Se Ela desejava ser a serva da Mãe de Deus, qual foi o sobressalto virtuoso, santo e ao mesmo tempo jubiloso da alma d’Ela, vendo que Ela era escolhida como a Mãe de Deus?!
Como seria natural que Nossa Senhora, antes de ser Mãe do Salvador, Se perguntasse a Si mesma se Ela não estava destinada a essa hora. E é possível que o demônio, que tentou até a Nosso Senhor Jesus Cristo, se tenha atrevido a tentá-La. É possível que ele tenha perguntado a Ela: “Não serás Tu a Mãe do Salvador? Olha-Te naquele canto do espelho, já não digo para ver a beleza dos teus olhos, mas a beleza do teu olhar”. Ela não quis olhar.
E, quando Ela recebeu a saudação angélica, Se perturbou, de tal maneira aquele panorama era, pelo menos em larga medida, novo aos olhos d’Ela. Se Ela tivesse feito o contrário e tivesse querido ter uma visão inteiramente objetiva da situação d’Ela, não teria sido a Mãe de Deus. Ela nem podia fazer o contrário, porque estava confirmada em graça.
Compreende-se bem a perfeição da resposta d’Ela ao Anjo: “Eis a escrava do Senhor, faça-se em Mim segundo sua palavra” (cf. Lc 1, 38). “Eu fui escolhida… Deus manda em Mim. Faça-se em Mim segundo a palavra d’Ele”. Ou seja: “Eu julgava que não merecia, que não estava ao alcance, mas uma vez que vem de Deus o convite, faça-se em Mim segundo sua palavra”. Nesse momento o Espírito Santo atuou em Nossa Senhora e d’Ela nasceu Nosso Senhor Jesus Cristo.
“Bendito o dia que viu Nossa Senhora nascer, benditas as estrelas que brilharam sobre Ela quando pequenina, bendito o momento em que os pais d’Ela verificaram haver nascido a criatura virginal chamada a ser a Mãe do Salvador!”



