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Causa nostræ lætitiæ

Nossa Senhora transpõe as distâncias entre a grandeza de Deus e nossa pequenez

O Sol, como ele é belo! Ele está a tantas léguas de distância que poderíamos dizer que ele nem dá importância para a Terra, nós nem podemos nos colocar na presença dele.

Se assim é o astro rei, incomparavelmente o é Deus! O Sol, por mais esplêndido que seja, não passa de um emaranhado de fogo. Deus é a vida eterna e diante d’Ele pensamos: “Que necessidade temos d’Ele e que impossibilidade de chegar a Ele!”

Há, portanto, uma alegria de que Deus exista, uma esperança n’Ele, mas, ao mesmo tempo, uma distância de Deus que nos acachapa…

Essa distância é harmonicamente transposta por Aquela que é chamada pela Igreja, na Ladainha Lauretana, com uma linda invocação: Causa nostræ lætitiæ – Causa de nossa alegria!

Em todo o universo Ela é a causa da alegria; basta começar a falar d’Ela que floresce o lírio da esperança.

Ela é de tal maneira a Causa nostræ lætitiæ, que até mesmo na mais triste das situações, que foi quando Nosso Senhor Jesus Cristo morreu, a presença d’Ela era um elemento de alegria e de satisfação.

Por que Nossa Senhora é a causa de nossa alegria?

As pessoas procuram alegria por toda parte, procuram-na onde goteja tristeza e desolação, procuram-na onde transborda o pecado.

Ora, a Igreja nos afirma que a causa de nossa alegria não está no pecado. Ela está em Nossa Senhora! E qual é a razão disso?

É simples: Nossa Senhora é inteiramente diferente de nós. Ela é a Mãe de Deus, é a Esposa do Espírito Santo. Foi por uma ação d’Ele nas entranhas puríssimas d’Ela que se formou o corpo de Nosso Senhor, Homem-Deus! Ele esteve n’Ela como num tabernáculo durante nove meses. Ela foi virgem – nos ensina a doutrina da Igreja – antes, durante e depois do parto.

Nossa Senhora correspondeu à graça de Deus do modo mais perfeito possível em toda sua vida. Contemplando-A, Deus podia exclamar: “Como minha criatura, és minha Filha; como Mãe do Verbo, és minha Esposa e minha Mãe. Tu és minha Filha, minha Esposa e minha Mãe. Eu sou todo teu!”

Deus é nosso Pai, mas nos julga com distância. Ela é nossa Mãe, e todos sabemos, por experiência própria: a mãe é sempre mais complacente do que o pai…

A mãe tem saídas, tem jeitinhos; ela tem acomodações, tem desculpas; ela é a advogada do filho ante o pai justamente irado. Quem não passou por esta cena? Fez uma estrepolia qualquer, o pai com razão se zangou. Quando ele fica bem bravo a mãe intervém:

— Fulano, mas afinal… veja bem, não é propriamente o caso…

— Mas ele andou mal! Eu vou dar uns puxões de orelha nele!

— Bom, mas olha aqui, tem tal lado assim…

E o pai acaba dizendo:

— Ele bem merecia, mas por tua causa… eu não vou fazer isso.

A mãe sorri satisfeita, chama o filho aliviada:

— Meu filho, vem cá, tudo está resolvido!

Esse é o papel de Nossa Senhora. Nós fazemos coisas… Deus Nosso Senhor, na sua santidade infinita, e com toda justiça, Se ira contra nós. Ela intercede: “Vós sois o Juiz, mas a advogada sou Eu…” E a advogada sempre toma posição a favor da parte: “Eu Vos peço, se não for por ele, seja por Mim! Pelo que eu fiz por Vós, pelo vínculo que tenho convosco! Porque sois meu Pai, porque sois meu Esposo, porque sois meu Filho, eu Vos peço: poupai-o! Ele me está pedindo…”

E nós aqui embaixo: “Ave Maria cheia de graça…”

Em todo o universo Nossa Senhora é a causa da alegria; basta começar a falar d’Ela que floresce o lírio da esperança.

“Ele está me pedindo a Mim, e eu sou Mãe; Vós sabeis o que é ser Mãe, porque Vós criastes todas as mães… em atenção ao meu pedido de Mãe, poupai-o!”

Com isso, os braços da justiça divina se desarmam e Deus sorri. Nossa Senhora sorri também e nos diz: “Meu filho, foste atendido, vai em paz!”

É ou não é esta a causa de nossa alegria? Como podemos ter alegria nesta vida a não ser por meio de Nossa Senhora?

Súplica que devemos fazer a Nossa Senhora

Essa é a grande esperança que devemos ter. Nesta terra devastada pelo pecado, antro dominado pelo ­caos, lugar onde a maioria das pessoas vive na tristeza, no egoísmo, na consideração de seus interesses e vantagens… bate um raio de luz! É a ternura de Nossa Senhora, é sua afabilidade olhando para cada um de nós e nos dizendo: “Eu me interpus entre ti e Deus. Tens uma queixa com teu irmão? Eu interponho-me entre ti e teu irmão: lembra-te, ele é meu filho. Perdoa-o, ama-o, quere-o bem, sê um com ele! Sirvam-Me os dois, lutem ambos por Mim para que todos os homens sejam meus também!”

Ela dará um jeito. Se ao menos eu insistir, insistir e insistir com os que estiverem ao meu redor, e durante o dia disser a Nossa Senhora quantas vezes eu possa: “Minha Mãe, que todos e eu mesmo Vos amemos cada vez mais! Todos, todos, todos Vos amemos cada vez mais!” Só isso, quanto pode nos valer ao longo da vida…?

Ela é a alegria de todos…

Inclusive para o tíbio, Nossa Senhora pode ser causa da alegria! Quando ele der acordo de si, ele está se “desentibiando” e nem sabe como isso está se dando.

Uma alegria que encontra na luta, no sacrifício, na batalha a própria razão de si mesma, é certamente causada por Maria Santíssima.

Luis C. R. Abreu
Mãe de Misericórdia – Igreja de São Quirico e Santa Julieta, Roma

Até no Purgatório Nossa Senhora é a alegria! Quando Ela vai até lá para levar as almas, enquanto permanece ali, cessam os tormentos para todos. E o fato de Ela ter passado por lá pode ser uma expiação maior do que se estivessem queimando. É que Ela esteve lá!

Existe apenas um lugar onde Nossa Senhora não é causa da alegria… todos sabem o nome dele. Ali não há alegria, não há misericórdia, não há amor. Há ódio, tormento e completa ausência de esperança: é o Inferno.

E Nossa Senhora, calcando com o pé a serpente, é também Causa nostræ lætitiæ; é o reluzimento da alegria do adversário destruído, punido no Inferno. A serpente está esmagada e na cabeça!

A raiz de todas as nossas alegrias está em Nossa Senhora

Nós devemos dizer a Nossa Senhora que nos lembramos de todas as razões perenes de alegria que Ela é para os católicos, em todas as circunstâncias. Compreendemos o quanto Ela é incrivelmente o meio de nossa salvação e como nos alegra o fato de Ela ter pensado em cada um de nós e rezado por nós…

Quando temos contato com alguém que nos ajuda a amá-La, a ter virtude e a andar bem etc., e isso nos causa alegria, podemos dizer que essa pessoa é causa de nossa alegria. Mas devemos nos lembrar que abaixo de Nosso Senhor Jesus Cristo, por excelência a causa de nossa alegria é Nossa Senhora, porque tudo o que fazemos deve redundar em amá-La e amar mais a Jesus. Quando outrem nos causa alegria, indubitavelmente é porque esse é ligado a Nossa Senhora. Todas as nossas alegrias têm sua causa n’Ela.

Toda depressão melancólica é certamente curável quando se cresce na devoção a Nossa Senhora. Uma alegria que nos faz desprezar as coisas da carne, que nos leva a esquecermos de nossas próprias pessoas e nos volta inteiramente para Nossa Senhora; uma alegria que encontra na luta, no sacrifício, na batalha a própria razão de si mesma, é uma alegria certamente causada por Aquela a quem nós invocamos com o título Causa nostræ lætitiæ. É evidente que essa alegria só pode vir d’Aquele a quem se dirige essa alegria. É evidente!

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