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Virgo fidelis

Fé, virtude supereminente em Nossa Senhora

Nossa Senhora é o modelo de todas as virtudes e as possui no mais alto grau de perfeição. Deus não tem virtude, Ele é a virtude.

Em todas as suas virtudes, Nossa Senhora não tem proporção com homem algum. Por exemplo, Ela é a Virgem puríssima, e nós poderíamos nos perguntar se a pureza é n’Ela uma virtude supereminente, que A faz ter maior desproporção com os homens do que as demais virtudes. E eu creio que a resposta seria: sim e não.

Não no seguinte sentido: a pureza é uma virtude que só tem valor na medida em que tenha como fundamento a fé; se ela não for mantida por amor à fé, ela não tem valor. A grande virtude, portanto, é a fé; ela é o ponto de partida de todas as outras e, evidentemente, em Nossa Senhora, a fé foi o alicerce de toda a vida espiritual.

As evidências da religião para Ela não A tornavam incapaz de praticar essa virtude. Ela teve fé até o momento em que cerrou os olhos para esta vida, pois no Céu essa virtude deixa de existir, se transforma em visão.

Para Nossa Senhora todas as virtudes foram crescendo até o fim de sua vida terrena e, por causa disso, devemos atribuir a Ela o título de Virgo fidelis. Essa é uma das invocações que nós rezamos diariamente quando recitamos a Ladainha Lauretana.

Virgem que não abandona aqueles que são seus

Fidelidade é um derivativo de ser fiel, que, por sua vez, deriva de fé. O título principal da Virgo fidelis é possuir fé de um modo inimaginável. Assim, as almas se concatenam como uma longa cadeia de fidelidade, cujo ponto mais alto é Nossa Senhora. Ela foi o modelo da fidelidade e é para Ela que convergem todas as fidelidades.

Eu acho que Virgo fidelis é derivadamente a Virgem que é fiel ao que promete, mas é fiel porque Ela tem fé. Ou seja, a Virgem que cumpre as promessas que fez porque é fiel ao que prometeu, Virgo fidelis. Isso é uma derivação preciosa, mas secundária, do título principal: Virgem fiel é aquela que tem fé. Quem tem fé, merece fé. Então, Ela é fiel às promessas d’Ela porque Ela crê; a virtude da fé é a raiz dessa fidelidade.

Sabemos, pela fé, que nunca parte de Nossa Senhora o deixar um filho gratuitamente. Ela é a Virgo fidelis que não abandona aqueles que são d’Ela, e é tanto autenticamente fidelis quanto é autenticamente Virgo. E se Ela propõe uma aliança ao último serzinho da Terra e este aceita, Ela está amarrada àquele ser pela sublimidade da virtude de sua fidelidade. É um paradoxo, mas é isso. Não se deve olhar para a correspondência e incorrespondência, mas para a clemência obstinada de Nossa Senhora, porque é Virgo fidelis.

O que a Santíssima Virgem quis, Ela não renuncia fazer. Ela nos dará os meios de chegar à realização dos seus planos. Nosso grande problema é realizar os planos de Nossa Senhora. Enquanto Lhe formos fiéis, Ela, que é Virgo fidelis, será ainda muito mais fiel a nós. Pelos trancos e pelos barrancos, Ela saberá ser fiel a nós.

Flávio Lourenço
Virgem da Misericórdia – Museu de Arte Sacra de Teruel, Espanha

E é a razão pela qual nós devemos ter confiança, uma dessas confianças de arrebentar: é por causa dessa aliança que Nossa Senhora tem com aqueles que se aliam verdadeiramente a Ela. Ela é fiel àqueles que são fiéis a Ela e nessa fidelidade ninguém A vence e nada se rompe. E aquilo que alguma vez um homem esperou confiante n’Ela, ele recebe; aquilo se faz desde que ele continue a confiar.

É esse o segredo das grandes vitórias daqueles que são verdadeiramente d’Ela.

Quanto mais formos fiéis, mais seremos de Nossa Senhora

Nós deveríamos nos perguntar por que esses dois fatos ocorrem. Porque a ordem de coisas do universo está posta de modo que os grandes dependam dos pequenos, e porque a fidelidade de Nossa Senhora se alia a alguns e com esses Ela é fidelíssima e leva as coisas até o fim. São os dois princípios da ordem do universo e que eu não vejo realizados apenas em um episódio de nossa vida, mas como um princípio da História universal, que vai até o fim do mundo.

Se Nossa Senhora propõe uma aliança ao último serzinho da Terra, não se deve olhar para a correspondência e incorrespondência dele, mas para a clemência obstinada d’Ela, porque é Virgo fidelis.

Quando os venerabilíssimos varões católicos do fim do mundo, completamente esmagados com a aparência da Igreja inteiramente triturada, sentirem que nada mais é nada, e eles, na sua fidelidade, bradarem de dentro de uma catacumba, de dentro de uma praça pública, do mais profundo anonimato, do desprezo e do ódio do adversário, eles abrirem o peito, abrirem os braços e disserem: “Nada mais parece nada, mas eu, em toda a força de minha voz e de minha alma, eu exclamo: tudo é tudo! Céus, abri-vos! E minha Mãe, vinde!”

Com certeza os Céus se abrirão. É até possível que eles não se abram logo, porque este é o caminho da confiança, mas quem bradou continua de pé na praça, sob as pedras ou sob as metralhas, afirmando, pelo próprio fato de estar de pé, que o Céu se abrirá, e, por assim dizer, abrindo ele mesmo, cortando à tesoura o toldo do Céu para que Nossa Senhora sorria; essa tesoura é a esperança que Nossa Senhora põe na alma dele. “Ó Virgem fiel, lembrai-Vos de vossa promessa!”

Devemos pedir para Nossa Senhora Virgo fidelis a nossa fidelidade perfeita: “Virgem fiel, tornai-nos fiéis durante toda a vida e até a morte”. Quanto mais formos d’Ela, mais fiéis seremos. Virgo fidelis, ora pro nobis!

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