Patrona carmelitarum, ora pro nobis.1 Que linda invocação! Quando a rezamos, lembramo-nos de toda a história de Elias: ele começa profetizando a seca (cf. 1Rs 17, 1), depois o rei Acab vai-lhe ao encontro (cf. 1Rs 18, 16), convoca os sacerdotes de Baal ao alto do Monte Carmelo, e estes caem na frustração porque o milagre não vem (cf. 1Rs 18, 19-29), e Elias mata quatrocentos deles (cf. 1Rs 18, 40); depois a nuvem aparece e a chuva que inunda Israel… (cf. 1Rs 18, 42-45).
E, de lá para cá, toda a filiação espiritual de Elias, no ápice da qual contemplamos São João Batista dizendo a Herodes: “Tibi non licet”, “Não te é lícito tomar como esposa a mulher de teu irmão” (Mt 14, 4). Assim contemplamos a epopeia carmelitana através de todos os séculos.
Vemos até uma Ordem Terceira do Carmo, na rua Martiniano de Carvalho, na qual entraram membros do nosso Movimento, que dessa forma se tornaram filhos da Rainha do Carmo.
Em certa ocasião, enquanto eu rezava a Ladainha Lauretana, percebi que as invocações carmelitanas me vinham facilmente à memória, embora não estivessem escritas no Manual de Congregado Mariano, o livro com que eu rezava. Pensei: Mas, como é essa fidelidade da minha infiel memória às invocações carmelitanas? Que vínculo nos prende à Ordem do Carmo? É um mistério! Pelo fato de alguns de nós sermos carmelitas, os outros ficam imantados de “carmelismo” e se sentem meio carmelitas.
Há em tudo isso um mistério que é singular, mas que faz parte do mistério de Elias, da misteriosidade de Elias, e é uma das grandezas, uma das magnificências dele.
1) Por ser terciário carmelita, Dr. Plinio rezava as invocações inseridas pela Ordem Carmelita na Ladainha Lauretana.



