Toda devoção a Nossa Senhora tem como tema sua pessoa e, portanto, um atributo d’Ela, um aspecto de sua santidade. A que atributo corresponderia o conceito da Santíssima Virgem enquanto sendo a Senhora de toda a ordem?
No campo moral, todo elemento em que haja ordem corresponde a uma virtude, portanto, a uma forma de santidade. E a Rainha de toda ordenação é, ipso facto, a Rainha de todas as santidades, e as possui todas nos píncaros respectivos, as interliga e forma com elas o painel geral da santidade. Ela é a Rainha de todas as santidades que existiram, vão existir ou poderiam existir. Ela é a Regina Sanctorum Omnium!
Ela é a Rainha de todos os Santos porque toda a santidade deles foi posta n’Ela e, por Ela, distribuída aos outros. Se formos deter o espírito neste tema, saem sóis!
Ela rezou por cada Santo e obteve que ele se santificasse. Aos pés da Cruz, Ela ofereceu a vida de seu Divino Filho para que aquele fosse santo. Ela tem em vista todo o bem que determinado Santo fez; ele, na eternidade, faz a Deus todas as orações que Ela quer, e Ela se soma a essas orações para que ele seja atendido! Ela conhece melhor aquele por quem o Santo reza do que o próprio Santo o conhece.
Ela conhece tudo com tranquilidade de espírito
Tomemos em consideração o seguinte: se houvesse alguém que, na pura ordem natural, possuísse o talento e o conhecimento que Nossa Senhora teve, essa pessoa deixaria todas as outras completamente a zero. Pois, se Nossa Senhora é Regina Angelorum, e o menor dos Anjos é muito superior à maior inteligência dos homens, o que há na mente d’Ela é inimaginável!…
Nós devemos evitar o escolho de imaginar que Ela tem um dicionário e a mais prodigiosa das enciclopédias dentro da cabeça. Porque, ao mesmo tempo que Ela era capaz de conhecer tudo, Ela tinha uma visão de conjunto simples e tranquila. Ela não estava como uma pessoa que está carregando continuamente uma estante de livros ou que está com o espírito exausto de tanto saber… Ela era como foi Nosso Senhor: Ele sabia tudo; olhem para o rosto d’Ele: sereno, límpido… Ele contém aquilo.
Ela entrava no pormenor e conhecia até o mais ínfimo, mas possuía uma tranquila vista de conjunto. Isso é o auge, a quintessência, e esta quintessência Ela possuía na medida que cabe a uma criatura humana possuir. Um esplendor, eu volto a dizer, não é dizível! É um insondável que pede por ser sondável.
Isso abre os olhos para o Reino de Maria: como será? É algo extraordinário!



