A Natividade de Nossa Senhora nos inspira um pensamento: o mundo estava prostrado no paganismo, os vícios imperavam, a idolatria dominava a Terra, o mal e o demônio venciam inteiramente. Mas no momento decretado por Deus em sua misericórdia, tudo mudou! Nasceu Nossa Senhora, a raiz bendita da qual nasceria o Salvador da humanidade. Começava assim a derrocada do demônio.
Quantas vezes não se passa algo semelhante em nossa vida espiritual! Há ocasiões em que nossa alma está em luta, com problemas, contorcendo-se e revolvendo dificuldades… De repente, há um nascimento no sentido especial da palavra: Maria Santíssima aparece e começa a quebrar as dificuldades com que nós nos defrontamos.1
Também com Dr. Plinio, conforme ele narrou inúmeras vezes, a devoção a Nossa Senhora entranhada, filial e fervorosa, se iniciou num momento de grande apuro em que ele, ainda muito menino, diante da imagem de Nossa Senhora Auxiliadora, suplicou-Lhe: “Salvai-me Rainha!”:
Eu não tive nenhuma visão, nenhum êxtase, nenhuma revelação. Mas eu me senti tocado como se a imagem me olhasse; tive conhecimento como que pessoal dessa misericórdia insondável, dessa bondade que me envolvia todo, de maneira tal que, ainda que eu quisesse fugir ou renegar, Ela me pegaria afetuosamente e diria: “Meu filho, volte, aqui estou Eu”, fazendo-me entender a profundidade dessa misericórdia. Em primeiro lugar, eu fiquei calmo para a vida inteira, porque, uma vez que estamos envolvidos por ela, podemos descansar. E uma das notas que, dentro da indefinição de minha mentalidade de menino, entretanto eu tinha bem clara, é a seguinte: isso não era um privilégio para mim; era a atitude d’Ela diante de todos os homens.
Datou daí uma relação de bondade d’Ela comigo. Para mim, essa graça foi dada de tal maneira, que ficou como um sol para a vida inteira. De tal maneira ela me fez ver o papel da bondade de Nossa Senhora, que me deu o desejo de me unir a Ela espiritualmente até o fim de minha vida. Foi como se Ela me tivesse dito: “Meu filho, Eu te quero”. E eu respondido: “Minha Mãe, eu sou vosso!”
Quando li o Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem, de São Luís Maria Grignion de Montfort, eu o estudei como quem estuda um difícil livro da faculdade, destrinchei, tomei notas, fiz uma ladainha de invocações…
Ao longo de toda a leitura, meu espírito caminhou de aclamação em aclamação, e fui aprendendo na concordância eufórica de minha alma, de tal maneira cada linha era uma razão nova de entusiasmo! Quando terminei a leitura, eu estava resolvido a ser escravo de Nossa Senhora. Mas essa posição foi muito marcada pela graça de Nossa Senhora Auxiliadora.2
De fato, essa graça recebida por Dr. Plinio no Santuário do Sagrado Coração de Jesus de algum modo se repetiu ao longo de sua vida no contato com diversas devoções à Santíssima Virgem, como é possível constatar nos belíssimos comentários feitos por ele a respeito da história e da imagem de Nossa Senhora de Coromoto, contidos nas próximas páginas.3
A presente edição oferece também ao leitor a ladainha de invocações a Nossa Senhora composta por Dr. Plinio no decorrer da leitura do Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem e por ele rezada durante bom período.
1) Cf. Conferência de 8/9/1963.
2) Cf. Conferências de 9/1/1982, 27/2/1987 e 5/2/1988.
3) Cf. Conferências de 29/1/1971, 8/9/1971, 13/3/1972, 8/7/1973, 20/1/1974, 5/1/1975, 12/3/1976, 25/12/1976, 10/9/1979, 23/7/1984, 25/1/1985, 8/9/1992.



