Na Idade Média, a Civilização Cristã cantou a pureza de modo inexprimível, mas também cantou a contrição de modo magnífico! Fez peregrinações, ao longo das quais se ia batendo no peito e pedindo perdão. No pranto da alma contrita, nas esmolas, nas penitências públicas, via-se como o pecador, enquanto penitente, se desabrochava aos olhos de todos e pedia perdão.
Não foi, portanto, uma época na qual não se pecou, mas na qual o pecador, em vez de ser insolente, agressivo e dominador, chorou muito pedindo perdão.
Todos esperamos uma manifestação de Nosso Senhor Jesus Cristo, de Nossa Senhora e da grandeza da Santa Igreja, a quem o pecado de Revolução contundiu. Mas essa manifestação deverá incidir sobre uma humanidade que tenha vergonha do próprio pecado. Uma vergonha doce, pungente, mas ordenada, que se recolhe aos pés de Nossa Senhora com confiança e reza, implora até conseguir.
Ao primeiro aflorar de contrição do pecador humilhado corresponde o primeiro florescimento do sorriso da Santíssima Virgem. Mas isso supõe humildade: “Andei mal, não podia ter agido assim!”
Nesse sentido, os Salmos Penitenciais são incomparáveis. Não se pode manifestar melhor a contrição do que recitando esses Salmos.
Por outro lado, o que há de misericórdia manifestada neles é algo incrível! Porque é o Espírito Santo ofendido que ensina ao ofensor o que Lhe deve dizer para Ele se aplacar.
Nos Salmos Penitenciais, palavra por palavra foi ditada pelo Espírito Santo, que tomou, por oportunidade, o pecado horrível de Davi, para que, até o fim do mundo, os homens tenham expressa a fórmula perfeita para pedir perdão.
Se o mundo contemporâneo pudesse ter uma voz coletiva para falar a Deus, deveria dizer o que o Salmo 50 exprime. Recitando-o, se converteria.
Os Salmos Penitenciais devem ser rezados não apenas como uma oração meramente individual, mas como sendo a prece de todos aqueles que, na Terra, gemem e sofrem por motivo de seus pecados, e que procuram expiação, resgate, perdão. Especialmente quando um determinado grupo ou comunidade incidiu em um pecado que lhe dói, mas com uma dor insuficiente e, por isso, quer pedir mais dor, mais contrição, mais compunção, mais seriedade. De maneira a, em razão desse pedido, obter de Deus que Ele perdoe a culpa e faça desaparecer da alma os efeitos catastróficos da má ação praticada.
No Antigo Testamento, todas as súplicas eram feitas diretamente a Deus pelas almas penitentes, pois não tinham a ventura incomparável de contar com uma medianeira onipotente junto a Ele, que é Nossa Senhora.
Nós, como escravos da Santíssima Virgem e fiéis seguidores de São Luís Grignion de Montfort, não podemos nos esquecer d’Ela, sequer por um momento, em nossas orações. Portanto, rezemos todas as súplicas dos Salmos Penitenciais por meio de Nossa Senhora. E quando dissermos, por exemplo, “Tende piedade de mim, Senhor, segundo a vossa grande misericórdia”, subentendamos: “É pela oração onipotente de vossa Mãe sagrada que Vos pedimos”.*
* Cf. Conferências de 3/6/1977, 24/1/1987 e 20/5/1994.



