Neste mês de abril, comemora-se o 150o aniversário natalício de Dona Lucilia. Celebrando data tão significativa, a presente edição traz uma seleção dos melhores comentários de Dr. Plinio a respeito de sua boníssima mãe publicados nesta revista,1 ao mesmo tempo que encerra com fecho de ouro a seção “Dona Lucilia”.
Se sobre sua extremosa mãe todas as considerações de Dr. Plinio já foram dadas a conhecer, finda-se um capítulo, não, porém, a ação de Dona Lucilia; esta continua hoje, no futuro e pela eternidade adentro.
Comentava certa vez Dr. Plinio: “Ela era verdadeiramente uma senhora católica… […] Eu estudei sua bela alma com uma atenção contínua e era por isso mesmo que eu gostava dela. A tal ponto que, se ela não fosse minha mãe, mas a mãe de um outro, eu gostaria dela da mesma maneira, e daria um jeito de ir morar junto a ela”.2
“Eu via nela um reflexo daquilo que eu contemplava nas imagens do Sagrado Coração de Jesus, daquilo que eu tinha aprendido na História Sagrada, no Catecismo, nas vidas dos Santos e naquilo que cercava a minha vida religiosa. O fundo do meu amor a ela era esse.
“É evidente que o fato de ser minha mãe colaborava, mas muito secundariamente. O fato fundamental é que eu a amava mais como filha da Igreja do que como minha mãe”.3
“Ela foi um eco fidelíssimo, embora subconsciente, da Idade Média e enquanto o mundo inteiro ia decaindo e abandonando o espírito dessa gloriosa era de fé, ela gerou um filho entusiasta da Cristandade medieval. Ela é o hífen, a ponte entre tudo o que houve outrora e o futuro. Ela representava o último pranto do passado, chorando por morrer. E o filho dela, Nossa Senhora destinou para fundar uma família de almas que seria o raiar da Idade Média ressurrecta no Reino de Maria.
“A palavra hífen diz pouco: ela é a última semente de uma árvore esplendorosa que morre, mas da qual vai nascer outra árvore ainda maior. Uma semente modesta, pequena, ignorada, sem deixar atrás de si outro rastro a não ser o de ligar o passado ao futuro. E esse é o grande papel histórico dela, a grande missão; e talvez, sem ela saber, deu nascimento à Contra-Revolução”.4
Tudo quanto podemos admirar na pessoa de Dr. Plinio, em seus ensinamentos e em suas virtudes, devemos a Dona Lucilia. Sem a fidelidade dela, não só a vocação de Dr. Plinio ficaria truncada, como também a de todos os que Nossa Senhora chamou para segui-lo e que constituem a imensa falange de seus filhos espirituais e, a seu modo, também dela, como afirmou Dr. Plinio em certa ocasião:
“Ela possui uma afetividade enorme. Ela tem um como que amor transbordante não só para com os dois filhos que teve, como também para com os filhos que ela não teve. Dir-se-ia feita para ter milhares de filhos e que seu coração palpita do desejo de conhecê-los. Entretanto, esses filhos não vieram nem poderiam vir nesse número exorbitante. O que quis a Providência com isso? Eu só tive a resposta para tal indagação – e que resposta magnífica! – quando comecei a ver que, em torno da sepultura do Cemitério da Consolação, os filhos começavam a florescer”.5
Por isso, neste sesquicentenário, para dirigirmos a Dona Lucilia o nosso mais entranhado preito de gratidão, fazemos nossas as palavras de seu querido “filhão”: “Mãezinha, muito obrigado! Amém, amém, amém!”6
1) Números utilizados na presente edição: 90, 91, 92, 93, 94, 96, 103, 105, 109, 119, 122, 128, 141, 145, 165, 167, 175, 178, 187, 189, 192, 195, 203, 205, 206, 207, 216, 217, 227, 240, 259, 261, 289, 291, 303, 307, 316, 326.
2) CLÁ DIAS, João Scognamiglio. Dona Lucilia. Città del Vaticano-São Paulo: Libreria Editrice Vaticana; Lumen Sapientiæ, 2013, p.39.
3) Conferência de 22/4/1993.
4) Conferência, 30/10/1977.
5) Santo do Dia, 22/4/1993.
6) Idem.



