Populares da semana

Relacionados

Speculum Iustitiæ

Nossa Senhora, obra- -prima da luz de Cristo

Na cerimônia litúrgica do Sábado Santo, em que o sacerdote diz três vezes Lumen Christi, os fiéis ficam com a ideia de que as velas que se acendem no Círio Pascal são também o Lumen Christi.

A luz é Nosso Senhor, a quem as trevas não conseguiram circunscrever; a vela é uma analogia. E as pessoas perdem a noção disso com muita facilidade.

Para nos dar uma certa ideia do que é a luz d’Ele, foi criada a luz material. De maneira que o verdadeiro analogado primário é Nosso Senhor, a analogia é a vela. O Sol se define assim: uma lamparina feita para dar uma certa analogia do Lumen ­Christi. O verdadeiro lumen é Nosso Senhor Jesus Cristo.

Ora, o que mais propriamente tem analogia com o Lumen Christi não é, aliás, o lumen material, mas o lumen das almas que são segundo Jesus Cristo e que, conhecendo-as, dão-nos uma luz que é o reflexo verdadeiro da luz d’Ele. Os Santos, em relação a Nosso Senhor, são alter Christus, pois praticam a virtude em grau heróico e imitam, portanto, Nosso Senhor em toda a medida do que lhes é dado imitar.

Nós não sabemos dizer quando Deus é mais maravilhoso: quando cria grandes almas ou quando cria pequenas almas; quando faz pessoas cheias de harmonias ou quando, por sobre naturezas deficientes e cheias de contradições, realiza o triunfo da vida sobrenatural e da piedade. São maravilhas tão grandes que, compará-las, excede o talento humano. E nós só podemos dizer esta frase genérica: Deus é admirável em seus Santos! E se cada um é uma obra-prima d’Ele, a obra-prima das obras-primas de Deus é considerar os Santos no seu conjunto, é imaginar a corte celeste com a irradiação de todos os Santos, fundindo-se em suas expressões variadas na pessoa sacrossanta de Nossa Senhora, ­Espelho de Justiça, espelho no qual podemos ver Nosso Senhor Jesus Cristo, porque Ela é, em toda plenitude, alter Christus. Então, em escada, diríamos: Lumen Christi, Lumen Mariæ.

Através de Maria outras almas começam a refletir Nosso Senhor Jesus Cristo

A invocação Speculum Iustitiæ, que recitamos na Ladainha Lauretana, é, nesse sentido, muito significativa, porque o espelho contém a imagem do original de um modo insuperavelmente fiel, e tem a vantagem de não ter em si outra imagem senão aquela que ele reflete. Numa tela podemos distinguir a pessoa retratada na pintura, mas o espelho só mostra a face daquilo que nele se reflete.

Maria Santíssima é o espelho no qual Deus concentrou todas as perfeições que uma criatura pode ter, e em nenhuma Ele Se espelha tão perfeitamente como n’Ela.

Shonagon (CC3.0)
Coroação da Virgem – Museu do Louvre, Paris

Assim, pois, é com toda a propriedade que Nossa Senhora pode ser chamada Espelho de Justiça, porque Deus A amou tanto, que n’Ela concentrou todas as perfeições que uma criatura pode ter e, por isso mesmo, em nenhuma Ele Se espelha tão perfeitamente como em Maria Santíssima. Ela poderia ser chamada Speculum luminis Christi – Espelho da luz de Cristo e, através de Maria, começam as outras almas a ser lumens de Cristo.

Em meio às nossas misérias, Nossa Senhora comunica a inocência d’Ela

Eu tenho a impressão de que a devoção a Nossa Senhora comunica exatamente isto: como ponto de partida de todo o oceano de graças que d’Ela deflui, Maria Santíssima acende um lumen – mas por uma misteriosa união com Ela – no interior das almas que se constituem escravas d’Ela.

E é como que se essa inocência de Nossa Senhora fosse comunicada a nós, a ponto de ficarmos, dentro das nossas misérias, um espelho d’Ela, de maneira que d’Ela se pode dizer Speculum Iustitiæ, porque Ela é Espelho de Deus, que é a Justiça subsistente. Nós seríamos speculum Mariæ, onde se vê, no fundo, essa retidão, essa totalidade, esse equilíbrio, não nosso, mas d’Ela.

Sendo Nossa Senhora Speculum Iustitiæ, amando-A, admirando-A e reverenciando-A, estaremos amando, admirando e reverenciando a própria Justiça, ou seja, Nosso Senhor Jesus Cristo. Assim, devemos dar glória a Deus e a Nossa Senhora!

Artigo anterior
Próximo artigo

Artigos populares