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Rosa Mystica

Infelizmente, quando recitamos a Ladainha de um modo mecânico, não pensamos bem no significado simbólico de cada invocação. Eu, toda a vida, rezei Rosa Mystica, mas sem compreender muito essa devoção. O que ela significa?

Nossa Senhora, a rosa por excelência

Outro dia, rezando a Ladainha, veio-me de repente esta ideia: as flores têm uma nota de beleza entre todas as outras criaturas, e a rosa, entre todas as flores.

Ela é lindíssima, entre as flores é a mais bela; tem um perfume delicioso, difunde beleza, aroma e graça no ambiente onde se encontra. Poderíamos dizer que a rosa é a flor das flores, é a rainha das flores, que concentra em si toda a beleza da Criação. Isso é a rosa.

Há qualquer coisa da delicadeza da alma feminina nessa flor, de tal modo que não imagino que, em algum idioma, se chame a rosa no masculino, e se diga “roso”. Não é possível!

Nossa Senhora é a rosa incomparável, de perfume único, que contém as formosuras de todas as virtudes.

Ora, no mundo inteiro, por excelência, só houve e só haverá uma rosa: é Nossa Senhora, a mais bela das almas, a mais bela das criaturas de Deus, a rosa incomparável, de perfume único, que contém todas as formosuras de todas as virtudes, a ­Rosa Mystica, a Rosa de Jericó, a Rosa das rosas, a Rosa puríssima, que tem da rosa toda a beleza, mas que possui também uma nota que é mais especial ao lírio: Ela é uma rosa lirial. Mística como nenhuma mística jamais o foi, e rosa mais do que qualquer rosa.

É preciso compreendermos bem o conteúdo da analogia.

Sob qual aspecto a rosa se assemelha a Nossa Senhora?

No que a rosa é parecida com Nossa Senhora? Em que consiste essa semelhança?

Quando a rosa é de boa qualidade, a pétala é aveludada. Ora, Nossa Senhora era aveludada em sua alma. O que significa isso? O aveludado diz respeito ao tato, mas nesse sentido quer dizer uma suavidade de trato, uma afinidade com o lado bom de todas as pessoas, que fazia com que o contato com Nossa Senhora fosse de uma doçura distinta, discreta, perfumada como é a pétala da rosa. Pensando nisso, é impossível que nós não tenhamos um pouco a ideia das mil perfeições de Nossa Senhora e do convívio com Ela.

Nossa Senhora é uma rosa com espinhos, porque Ela é como um exército em ordem de batalha, pisa eternamente a cabeça do adversário. Ela é o “sim” para a virtude, e o “não” para tudo o que é contrário à verdade e à virtude.

Para compreender Nossa Senhora apresentada como Rosa Mystica, é preciso imaginá-La manifestando todo seu encanto, charme, grandeza, beleza, esplendor etc. E pelo aspecto e irradiação sobrenatural dessa formosura e dessa pulcritude, Ela comunica aos homens toda espécie de consolações místicas.

Arquivo Revista

A Rosa Mystica seria então a Mãe de todas as consolações, de todas as visões, de todas as revelações, de tudo aquilo que nos põe sensivelmente em contato com o sobrenatural. Ela é quem tem esse papel: produz na ordem mística a admiração, o desvelo, a ternura e, sobretudo, o perfume que a rosa irradia na ordem floral.

A Santa Igreja é a rosa mística que perfuma o mundo

Todo indivíduo, conforme os dotes pessoais que Nossa Senhora tenha dado e a missão que tenha na Terra – ainda que seja uma missão discreta, muito pequena etc. –, se ele é verdadeiramente piedoso, ele é uma rosa mística, porque, em certo momento de sua vida, irradia o bom odor daquilo que ele é levado a representar.

A Igreja é – uma vez que dela se pode dizer, mutatis mutandis,1 o que se diz de Nossa Senhora –, a seu modo, uma rosa mística cheia de formosura e de perfume. Na Idade Média ela era a rosa mística que perfumava o mundo. O Humanismo enxotou esse perfume, entrou o mau odor e vivemos debaixo dele. O próprio Papa Paulo VI disse que a Igreja estava empestada pela fumaça de Satanás que nela tinha penetrado.2

Enquanto Rosa Mystica, Nossa Senhora exorcizará o mau odor de Satanás

Em que momemento entra a ­Rosa Mystica?

No meio de todo esse mau cheiro horroroso de infortúnio e de infelicidade que paira por aí, eu tenho a impressão de que, em determinado momento – mas é pura impressão – virá uma consolação dada por Nossa Senhora e que será oposta a tudo isso; uma consolação do gênero místico e ligada, talvez, à invocação ­Rosa Mystica.

Não será que no Reino de Maria haverá uma difusão absolutamente ímpar da ação mística de Nossa Senhora?

Para que haja um revide a este horror do caos, horror no interior das almas, horror em tudo… é preciso que haja exatamente a réplica de Nossa Senhora entrando como Rosa Mystica, principalmente no sentido de proporcionar os favores da vida mística, as comunicações por meio das quais as almas se levantam acima deste pantanal, e então aparece a “saída”: uma vida mística tão intensa, que a pessoa tem visões, tem revelações etc., e não se mete nesse pantanal, porque entra na corola da Rosa Mystica.

Eu tenho a impressão de que isso vai expulsar o mau odor do demônio, a tal fumaça de Satanás. É tão adequado, tão apropriado a Nossa Senhora exorcizar, expulsar todos os demônios da Revolução pelo aparecimento d’Ela na sua beleza como Rosa Mystica, irradiando mística, de tal maneira que inaugurará o Reino de Maria!

No Reino de Maria haverá uma difusão da ação mística de Nossa Senhora

Não será que no Reino de Maria haverá uma difusão absolutamente ímpar dessa ação mística de Nossa Senhora? Ela nos comunicará consolações em uma abundância notável, ora com aparição, ora discretamente.

Rosa Mystica é a invocação que significa mais o papel de Nossa Senhora durante os castigos previstos por Ela em Fátima e no Reino de Maria.

Isso não é algo que dá ânimo para a vida espiritual e é oxigênio para a alma? Não fica muito mais fácil atrair assim as almas para a piedade, do que de qualquer outra maneira? É preciso pedir a Nossa Senhora um attachement3 às coisas celestes e verdadeiras.

Eu me lembro de uns dez meses de consolações contínuas, sem visão nem revelação, que eu tive quando entrei no Movimento Católico, depois de tentações e de aridezes horríveis. Se, lembrando daquilo, eu soubesse que, indo ao Monte Everest eu teria aquelas consolações novamente, eu, que sou o homem mais inimigo de viagens, iria naquele dia mesmo até para o Himalaia!

A ser assim, a Terra ficaria muito mais parecida com o Céu, e seria exatamente a plenitude do Reino de Maria! A invocação Rosa Mystica – que de si é lindíssima – dá a isso um perfume, algo que eu não sei como qualificar… Comentário assim a respeito da Rosa Mystica eu nunca ouvi.

Uma invocação perfumada e que atrai a nossa atenção

Se há uma invocação que é conveniente para a atual situação da Igreja, é Rosa Mystica. Não é verdade que sob esse pretexto se pode aprofundar mais, ir valorizando e dando o devido realce a essa invocação?

É, talvez, das várias invocações da Ladainha, a que significa mais o papel de Nossa Senhora durante os castigos previstos por Ela em Fátima e no Reino de Maria. É uma invocação especialmente perfumada, mais próxima a nós, que fala muito do pulchrum… há qualquer coisa nela que atrai a atenção e que nos resgata.

1) Do latim: com as devidas alterações; efetuadas as mudanças necessárias.

2) Cf. Paulo VI. Homilia, 29 de junho de 1972.

3) Do francês: afeição, pendor por.

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