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Regina Apostolorum

O apostolado é entendido como a ação de alguém agir sobre outrem no sentido de aproximá-lo de Deus ou afastá-lo do demônio; do que depende seu êxito? A resposta da Igreja é: antes de tudo, de Nossa Senhora. Regina Apostolorum, ora pro nobis!

Rainha de todo apostolado

O que quer dizer Rainha dos Apóstolos?

Não significa apenas que Ela é a Rainha dos Apóstolos, dos Doze – o que é muita coisa –, mas quer dizer também que todas as graças que os que fazem apostolado recebem vêm d’Ela e vêm por meio d’Ela. Ela é a Rainha do apostolado, é a Rainha de todos os que fazem apostolado, até a consumação dos séculos.

Ela é, por vontade de Deus, o canal necessário para chegar a Ele, de maneira que as orações que fazemos para ter um apostolado fecundo, são atendidas por meio d’Ela. É por meio d’Ela que Deus dá vida ao apostolado.

Em Pentecostes, Nossa Senhora estava presidindo a reunião dos Apóstolos quando baixou o Espírito Santo sobre eles e deu-se aquele fato magnífico que até hoje faz viver a Igreja. Mas esse fato tem isto de particular: desceu do Céu uma língua de fogo e baixou sobre Ela e depois se desmembrou em outras doze línguas menores que pousaram sobre os Apóstolos. Essas línguas menores que baixaram sobre eles eram, na realidade, tão colossais, que basta pensar no apostolado de São Pedro e de São João para compreendermos o que representa esse fogo. É uma coisa extraordinária! Então, que intensidade teria essa chama apostólica que baixou sobre a cabeça d’Ela? Não há palavras que descrevam…

O apóstolo que confia em si fracassa

Nós podemos imaginar uma pessoa muito dotada para o apostolado: exprime-se bem, é agradável no trato, é inteligente, expõe questões que têm atualidade, expõe-nas de um modo a atrair a atenção, a persuadir; um apóstolo equipado com todas as qualidades para ter êxito.

Se imaginarmos alguém assim e que se põe a fazer apostolado persuadido de que provavelmente vai ter resultado porque tem os meios, tem os talentos necessários, e que entra em liça, entra na luta do apostolado confiante nos resultados à vista do que Deus lhe deu, confiando nas suas qualidades naturais, esse homem tão dotado para tudo está destinado ao fracasso.

Mas, por que destinado ao fracasso? Está destinado ao fracasso como um navio que afunda.

Às vezes vemos fotografias de navios no fundo do mar, por exemplo, magníficas caravelas do tempo do domínio português ou espanhol sobre a América do Sul. Magníficas caravelas no fundo do mar… não se levantam mais, os peixes moram dentro dela, passeiam e combatem ali; os crustáceos se fixam nos mastros, nos tombadilhos e vão devorando aquela madeira… e aquilo tudo no fundo do mar vai sumindo: as águas vão levando as madeiras apodrecidas de um lado para o outro e, ao cabo de anos, às vezes de cem ou muito menos, aquela caravela magnífica que era o orgulho do país colonial que a possuía, está transformada em nada.

Esse é o destino do apóstolo que confiou em si.

O indispensável auxílio da graça

Por qual razão? Porque o êxito da ação apostólica, da ação pela qual alguém faz apostolado depende de um ponto fundamental. Por exemplo, no momento eu estou fazendo apostolado com todos, estou realizando uma ação apostólica e estou procurando aproximá-los da doutrina católica com o intuito de que se santifiquem, em primeiro lugar; e, em segundo lugar, de que os senhores, por sua vez, atraiam para a Igreja Católica o maior número de pessoas. Isto é o que estou fazendo. Está tudo classificado: eu sei bem o que é, porque é, e quero essas coisas nesta ordem.

Eu posso imaginar que “x” ou “y” tenham qualidades próprias para o apostolado. Se eles ignoram o ponto central, eles fracassam! Ainda que tivessem mais qualidades do que as que têm, eles fracassariam irremediavelmente!

Em matéria de apostolado, não se consegue nenhum resultado sem uma ajuda especial da graça.

Rubens de Camargo Vianna Filho (CC3.0)

Qual é esse ponto fundamental? É a graça de Deus. Em matéria de apostolado, não se consegue nenhum resultado sem uma ajuda especial da graça e, por causa disso, enquanto estamos fazendo apostolado, durante esse tempo, não conversamos só com aquele com quem estamos fazendo apostolado, mas com Deus! O apóstolo deve dirigir pequenas jaculatórias a Deus, por meio de Nossa Senhora, pedindo que Ela o ilumine, de maneira que ele saiba o que dizer; que ele empregue as palavras adequadas para tocar o fundo da alma daqueles que ele quer ganhar para Ela, e para que a graça ilumine a mente daquele com quem ele está falando, tornando-o receptivo e sensível. As jaculatórias poderiam ser: “Rainha dos Apóstolos, tornai fecundas apostolicamente as palavras que eu digo aqui e rogai por nós…”, ou: “Rainha dos Apóstolos, Mãe dos Apóstolos, tornai fecundo o nosso apostolado”.

Como tornar fecundo o apostolado?

Nosso Senhor tem uma palavra muito bonita a esse respeito: “Quando vos forem arrastar diante das autoridades civis, não vos preocupeis com o que tereis que dizer, porque o Espírito Santo vos inspirará” (cf. Mt 10, 19). Isso tem uma certa aplicação para o nosso apostolado: quando temos um “caroço” difícil no apostolado, não devemos nos preocupar; devemos tratar do caso pedindo a Nossa Senhora – a Rainha dos Apóstolos e de cuja ação sobre as almas, pela graça de Deus, depende toda a decisão –, que Ela tenha condescendência de olhar para nós e de nos inspirar o que temos de dizer. Que Ela tenha condescendência de olhar para aquele pobre coitado e inspirar-lhe também o que deve pensar. E que, do fato de Nossa Senhora atuar nas duas almas, saia uma espécie de arco-íris de alma a alma, que é o melhor êxito da conversa.

De vez em quando, é bom nós relembrarmos isso. Se tivermos, sobretudo, bem clara no fundo da cabeça essa doutrina e estivermos persuadidos de que ela é verdadeira – é a doutrina da Igreja Católica, não pode deixar de ser verdadeira –, jorrará daí uma fecundidade de apostolado que é um auxílio para a alma daquela pessoa que é convidada por Deus para fazer a Ele esse ato de amor. O surto de fecundidade de nosso apostolado se multiplicará.

“Rainha dos Apóstolos, tornai fecundas apostolicamente as palavras que eu digo aqui…”

Arquivo Revista
Dr. Plinio durante uma conferência em 30 de abril de 1993

Um exemplo do zelo apostólico de Dr. Plinio

No momento em que estou dizendo estas palavras, eu ponho toda a minha esperança em Nossa Senhora: que Ela peça a Nosso Senhor Jesus Cristo que fecunde com a graça d’Ele as palavras que eu estou dizendo. Peço a Ela que obtenha que Nosso Senhor Jesus Cristo atue no fundo da consciência e das almas dos que me ouvem, de tal maneira que lhes possa ser verdadeiramente útil. Mas notem que só será útil na medida em que a minha oração for feita enquanto estou falando; na medida em que, ao menos subconscientemente, está firme na minha cabeça o que eu disse explicitamente aqui. A graça atende ao que eu peço, atua na alma dos que me ouvem; estes se sentirão mais tocados ou menos com aquilo que eu estou dizendo, mas sentir-se-ão tocados certamente. No momento em que disserem “sim” no interior de suas almas e estiverem preparados, a graça fecunda.

É conhecida aquela máxima: “O irmão que salva seu irmão, salva sua própria alma e brilhará no Céu como um sol por toda a eternidade”. Se conseguirmos trazer vários, brilharemos como vários sóis!

Também é verdade que Nossa Senhora concede muito mais graças, muito mais força para resistir à tentação, muito mais decisão de alma, muito mais energia, àqueles que procuram salvar outras almas. Se tivermos ideia disso, teremos muitíssimo mais empenho. Que Ela queira ser nossa Rainha também e nos obter a força de impacto que nós devemos ter.

Gabriel K.
Encontro de Jesus com Maria Via Dolorosa, Jerusalém

Excelsitude incomparável da vida interior de Nossa Senhora

Dom Chautard nos ensina, na sua Alma de todo apostolado, serem a oração e a vida interior o fundamento de qualquer ação apostólica. Ora, Nossa Senhora tem mais do que ninguém a plenitude da vida interior. Ela tinha muito desejo de saber como seria o Messias que deveria vir, porque as Escrituras falavam disso. Guiada pelo Espírito Santo, Ela começou a ­imaginar como seria, e acertou. Quando Ela compôs inteiramente a figura do Messias no espírito d’Ela, apareceu o Anjo para anunciar a Ela que seria a Mãe d’Aquele que cogitara. O Anjo veio como resultado da vida interior d’Ela. Isso demonstra a excelsitude incomparável da vida interior de Nossa Senhora.

O Anjo fala, Ela diz “Ecce ancilla Domini, fiat mihi secundum verbum tuum – Eis a escrava do Senhor, faça-se em Mim segundo a vossa palavra” (Cf. Lc 1, 38). Imediatamente o Espírito Santo gerou n’Ela a Nosso Senhor Jesus Cristo. E começou um auge de vida interior que nós nunca poderemos compreender, que é Ela tendo dentro de Si o Filho de Deus, e Ela dando gradualmente o sangue d’Ela para a formação do Corpo e Sangue do Filho de Deus na sua natureza humana.

Como Ela foi concebida sem pecado original, Ela sabia tudo o que se passava no interior do seu corpo. Nós não sabemos, mas Ela sabia. E, portanto, cada gota de sangue que Ela queria dar para a formação do Menino Jesus, Ela dava conscientemente, em um ato de amor enorme!

Luis C.R. Abreu
Jesus na manjedoura Museu de Arte Sacra de São Paulo

Quando o Menino Jesus estava inteiramente constituído n’Ela, era a noite de Natal. E Ela, mantendo-se virgem antes do parto, durante o parto e depois do parto, deu à luz o Menino Jesus. Os Anjos cantaram no Céu, vieram os pastores, e mais tarde, no outro dia, vieram os Reis Magos. Ou seja, uma sucessão de coisas admiráveis, nascidas pela geração do Menino Jesus, pela vida interior de Nossa Senhora.

Nisso, e depois em toda a vida d’Ele, as coisas que Ele falou a Ela durante os trinta anos que Ele viveu só com Ela e com São José – pode-se imaginar a vida interior! Os três anos em que Ele viveu longe d’Ela; depois a Agonia e a Paixão. O que Ela deve ter sofrido quando foi Se encontrar com Ele no caminho da Paixão e quando os dois Se abraçaram? E Ela O viu coberto de chagas, e O acompanhou depois até o alto da Cruz! Em tudo isso Ela meditou a vida inteira, e com uma plenitude que não se pode imaginar! Ela fazia a Via-Sacra. Ela ia aos lugares onde sabia que o Divino Filho d’Ela tinha sofrido, parava rezava, longamente. Os Anjos, os milhares de Anjos invisivelmente estavam em torno d’Ela e cantavam para auxiliar sua meditação.

Nossa Senhora era uma plenitude de vida interior, que se tornou o auge em Pentecostes, quando baixou sobre Ela o fogo do Espírito Santo, e depois distribuiu para todos os Apóstolos. Quer dizer, toda a graça que há na Igreja vem por meio d’Ela. Pode-se conceber bem o incomparável valor que há na vida interior de Nossa Senhora como razão do apostolado d’Ela, como fecundidade do apostolado d’Ela. Por isso Ela é chamada a Rainha dos Apóstolos.

Toda a graça que há na Igreja vem por meio d’Ela. Pode-se conceber bem o incomparável valor que há na vida interior de Nossa Senhora como razão do apostolado d’Ela.

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