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Regina Pacis

Nós devemos considerar o que é e como foi a paz de Nossa Senhora.

Há uma palavra do profeta Isaías que se aplica à Paixão de Nosso Senhor e à compaixão de Nossa Senhora: “Ecce in pace amaritudo mea amarissima – Eis que está em paz a minha amargura muito amarga” (Is 38, 17). É o auge da amargura, mas há paz e enorme resignação no sofrimento.

O modelo dos modelos de paz na amargura foi Nossa Senhora. Não pode haver amargura maior do que a que Ela teve vendo seu Divino Filho expirar. Ela voltou tranquila para o Cenáculo e se pôs a rezar.

Ela foi a primeira pessoa a quem Nosso Senhor apareceu depois de ressurrecto. Antes mesmo de Maria Madalena, a alma d’Ele entrou dentro do cadáver e ressuscitou gloriosamente e, naquele instante, Ele apareceu a Nossa Senhora.

Podemos imaginar a alegria d’Ela! Mas alegria na paz também, porque Nossa Senhora é Rainha da Paz. Então, agitação e bagunça, não! Resoluta e com paz.

A Rainha da Paz é a mesma que nos leva aos combates pela Fé

Entretanto, desta Rainha da Paz a Igreja diz que “Ela sozinha esmagou todas as heresias do mundo”. Então, que paz é essa? Em quase todos os grandes episódios da vida da Igreja, nós vemos Nossa Senhora intervir para lutar e para ganhar as guerras para nós. Não preciso mencionar outro fato a não ser o de Nossa Senhora de Lepanto, ou então, aqui no Brasil, o de Nossa Senhora dos Guararapes, para compreendermos o papel da constante intervenção na luta da Igreja contra os infiéis que Nossa Senhora assume. Então, mais uma vez, poderíamos perguntar que paz é essa.

Os povos devotos de Nossa Senhora são combativos. Onde a devoção a Ela começa a se sentimentalizar, o senso do combate pelo bem desaparece.

Fala-se muito a respeito dos tempos de paz, que Nossa Senhora promova a paz no mundo. Se essa paz é a ausência de luta, há nisso uma verdadeira aberração. Porque há uma constante muito bonita na História da Igreja: os povos devotos de Nossa Senhora são povos combativos e combatem pela causa da ­Igreja. ­Onde a devoção a Nossa Senhora começa a se sentimentalizar, onde ela perde o seu conteúdo para tomar o aspecto daquelas falsas devoções de que nos fala São Luís Grignion de Montfort, ou nos povos que perdem a devoção a Nossa Senhora, o senso do combate pelo bem desaparece. Sendo assim, como Nossa Senhora é a Rainha da Paz, se o espírito d’Ela nos leva à guerra?

A paz é aquilo que, mesmo no meio de todas as dificuldades, se mantém firme, resoluto e tranquilo.

A verdadeira paz

O que vem a ser a paz? A verdadeira paz – isso tem sido dito mil vezes – está na tranquilidade da ordem. A paz é aquilo que, mesmo no meio de todas as dificuldades, se mantém firme, resoluto e tranquilo. Esse conceito de paz é inteiramente diverso da paz irenista. Essa não é a verdadeira paz, mas é o contrário dela!

A guerra que Nossa Senhora leva ao mundo e às instituições é a guerra contra o mal. É, portanto, assim que devemos rezar a Nossa Senhora da Paz.

Que o Rei da Paz, por meio de Nossa Senhora, a Rainha da Paz, nos faça compreender isto: o supremo bluff que há na promessa de felicidade terrena fora das vias de Nossa Senhora; e a suprema ventura que há dentro da Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Nós carregamos nossa cruz, sofremos, mas, que paz, que estabilidade, que tranquilidade! Como esta cruz é suportável e como as alegrias dos mundanos são estritamente insuportáveis!

Peçamos a Nossa Senhora para nos dar paz de alma, e para que tenhamos calma. Regina Pacis, ora pro me!

É este o comentário que se poderia fazer da devoção a Nossa Senhora da Paz.

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