Discreta, afável, acolhedora e, ao mesmo tempo, parecendo ser feita para ter uma multidão de filhos, Dona Lucilia, em vida, sofreu muito por ver-se frequentemente relegada ao abandono, não tendo sobre quem desdobrar seus desvelos maternais. Hoje, mundialmente conhecida, não deixa de interceder pelos que a ela recorrem. E, por incrível que possa parecer, socorre até aqueles que nem a conhecem, como se verá nos relatos aqui transcritos.
Auxílio discreto em difícil situação
Em 1998, certo empresário de Teresina faleceu, deixando ao filho vultosas dívidas. Como consequência, o Poder Judiciário confiscou ao herdeiro todos os bens, deixando sua família em delicada situação financeira.
Sem recursos para sustentar os três filhos ainda pequenos, ele e a esposa se viram obrigados a deixar as crianças sob os cuidados da avó materna e partir para Fortaleza em busca de melhor emprego.
Na capital cearense, mais uma separação lhes foi imposta: ele conseguiu um trabalho em outra cidade, porém sem possibilidade de levar consigo a esposa.
Certo dia, vendo-se a mulher particularmente abatida e com fome, após ter estado quatro meses percorrendo inutilmente grandes distâncias à procura de emprego, ela sentou-se no banco de uma praça e pôs-se a rezar, suplicando a Deus ao menos o suficiente para se alimentar.
Poucos instantes depois, aproximou-se dela uma distinta senhora pedindo-lhe indicação de algum restaurante nas proximidades. Ela se levantou e a levou a um estabelecimento distante uma quadra de onde estavam.
Chegando ao restaurante, a senhora convidou-a para almoçar, o que ela aceitou muito agradecida. Durante a refeição, expôs algo de suas aflições e foi ouvida com muita bondade, recebendo por conselho ter muita confiança e devoção ao Sagrado Coração de Jesus.
Terminado o almoço, ela acompanhou sua benfeitora até a rua caminhando um pouco a seu lado, pois lhe pareceu que ela não conhecia a região e poderia precisar de mais algum auxílio. Ao perguntar para onde iria, a senhora indicou-lhe um edifício do lado oposto ao que estava. Virou-se para se certificar de qual se tratava e ficou pasma quando, voltando-se novamente para a senhora, já não a encontrou a seu lado.
Algum tempo após o ocorrido, ela encontrou um bom emprego e seu esposo regressou a Fortaleza, já em condições de reunir toda a família. Por anos ela acreditou que aquela senhora fosse a Virgem Santíssima. Certo dia, porém, sua filha chegou em casa mostrando-lhe um presente que ganhara: uma biografia de Dona Lucilia ricamente ilustrada. Para sua surpresa, ao folhear o livro, reconheceu, em uma das fotografias, a sua benfeitora!
Ao lado, sem ser vista…
No Estado do Rio de Janeiro, outra senhora foi favorecida com a companhia de Dona Lucilia.
Todos os meses ela precisava ir a uma cidade vizinha para adquirir certo medicamento para seu pai, aproveitando a viagem para fazer compras em determinada loja de artigos domésticos.
Numa dessas ocasiões, uma atendente do estabelecimento aproximou-se e, muito contente, disse-lhe que havia recebido da “senhora” que a acompanhara à loja na ocasião anterior, um conselho muito certeiro.
Pensando haver um engano, explicou-lhe nunca ter estado ali acompanhada por alguém. No entanto, retirando da bolsa uma foto de Dona Lucilia, mostrou-a à funcionária, perguntando se era aquela senhora que a havia consolado. Com muita ênfase, a moça assentiu, interessando-se por saber quem era aquela “senhora”.
Peculiar intervenção a “vassouradas”!
Vivia certa senhora em Chia, Colômbia, cidade localizada nas proximidades de Tocancipá. Passava ela por dificuldades no trabalho, pois justo em frente à sua mesa estava instalada uma colega de má índole, que, embora se dizendo católica, procurava arrastar os outros para práticas esotéricas, além de favorecer conversas licenciosas.
Numa ocasião em que foi assistir à Missa, pediu um conselho a um sacerdote, que lhe deu duas fotos de Dona Lucilia e lhe recomendou manter uma em sua bolsa e outra em sua mesa de trabalho. Quando a colega lhe insinuasse más conversas ou práticas condenáveis, deveria pedir a Dona Lucilia que a afastasse a “vassouradas”. O pedido pouco convencional deixou-a admirada.
Ela ouvira falar de Dona Lucilia, mas mantivera-se incrédula quanto à sua intercessão. Entretanto, dessa vez, deu completa atenção à indicação recebida, e, na primeira oportunidade em que a companheira veio com conversas obscenas, dirigiu-se a Nossa Senhora: “Minha Mãe, peço-Vos que mandeis Dona Lucilia tirar minha colega daqui a vassouradas!”
Para sua surpresa, passados menos de quinze dias, sua colega recebeu transferência para outra seção, em outro edifício, sem a haver solicitado. Apesar de incialmente contrariada, a referida colega acabou por acatar a mudança, pois trazia benefícios para si e para sua vida familiar.
Era essa a prova de tratar-se de uma situação da Providência, por intercessão de Dona Lucilia, pois ambas as colegas se viram beneficiadas.
O salário do mês recuperado…
Uma senhora, dona de casa, também foi socorrida de modo surpreendente e inusual por Dona Lucilia.
Sendo administradora das despesas da casa, recebia de seu cônjuge o salário obtido por ele no início de cada mês. Um dia, porém, ela deixou tal valor envolto em um papel sobre a tábua de passar roupas, e o esposo, julgando tratar-se de algum lixo, jogou fora o embrulho.
Ao dar-se conta do desaparecimento do dinheiro, a esposa pôs-se a procurá-lo por toda a casa sem nenhum êxito. Em conversa à noite, o casal deu-se conta do acontecido: todo o dinheiro do mês fora jogado no lixo. E este havia sido coletado no bairro naquele mesmo dia…
A situação prejudicava financeiramente a família e criava desagradável tensão entre esposos. Foi nessa conjuntura que a mulher lembrou-se de Dona Lucilia, cuja extremosa bondade levava-a a se compadecer dos aflitos. Rezou a ela prometendo-lhe executar alguma obra piedosa caso fosse atendida.
Na manhã seguinte, contatou o órgão responsável pela coleta de lixo e dirigiu-se ao local de aterro sanitário público, no intento de procurar o valor perdido. Ora, o responsável vedou-lhe a entrada por razões de segurança e saúde, levando-a apenas até onde eram processados os resíduos, a fim de convencê-la a desistir.
Foi então que a felizarda senhora viu passar diante de si uma enorme esteira que transportava o material a ser processado, e nela, o embrulho à vista. Sem hesitar, aproximou-se e apanhou o valor! Os funcionários ficaram espantados, pois como encontrar tão diminuto volume em meio ao caos daquelas instalações?
O fato marcou a família, que pôde confirmar o quanto Dona Lucilia estava disposta a atendê-los, resolvendo um caso na aparência insolúvel.
Dona Lucilia cuida do filho enfermo
Uma senhora residente em Montes Claros (MG) também registrou um fato digno de consideração, operado graças à intercessão de Dona Lucilia.
No dia 26 de fevereiro de 2021, seu filho sofreu um acidente de moto na cidade de Juiz de Fora. Deu entrada no hospital com TCE (traumatismo cranioencefálico) grave, politrauma, afundamento de crânio, encéfalo afastado 1,8 cm, várias fraturas no braço esquerdo e lesão no pulmão esquerdo. Em suma, o jovem estava em coma no grau Glasgow 3, o mais profundo estágio, no qual o paciente não responde a nenhum estímulo.
Após uma operação de craniotomia descompressiva, o cirurgião resumiu numa curta frase a gravidade da situação: “Se ele sobreviver, terá morte cerebral”. Ou seja, ficaria em estado vegetativo.
A mãe do acidentado conservou grande paz de alma, confortada pelo fato de um sacerdote ter acorrido ao hospital e administrado ao seu filho a Unção dos Enfermos.
Conseguiu ela autorização para visitá-lo no CTI todos os dias, mas devido ao agravamento da pandemia do COVID-19, tais visitas foram canceladas. Era o dia 8 de março. A mãe pediu à enfermeira-chefe que colocasse a estampa de Dona Lucilia junto a seu filho, para que ela cuidasse dele em sua ausência.
No dia 12 de abril, o jovem teve alta do CTI. Nos dias 21 e 22 – nos quais se comemoram o aniversário de falecimento e o de nascimento de Dona Lucilia –, o rapaz demonstrou alentadores sinais de melhora: sentou-se e levantou a cabeça, causando grata surpresa aos dois fisioterapeutas que o assistiam. Um deles, ignorando a relação de datas, sugeriu à mãe marcar o dia 21 de abril de 2021 para celebrar tão marcante progresso.
Estava confirmado o sinal de que o jovem vivia graças a um milagre operado pela intercessão de Dona Lucilia, como em relato reconheceu mais tarde a afortunada mãe.
Seu filho atualmente não apenas vive, mas recuperou todos os movimentos, formou-se numa Faculdade e exerce, em boas condições, sua profissão.





